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Bebedeira de emoções: nunca abdique delas!

21 de December de 2018 by Sónia Vieira 1 Comment

Nunca vos aconteceu acordarem como se estivessem embriagados, mas embriagados de emoções?! Peguei então num lápis e num papel e escrevi. Nunca abdico de o fazer, LER e ESCREVER. Escrever é uma libertação que nos dá vida, que nos transporta para outros mundos e horizontes! Experimente e verá como levitar pode ser tão simples.

“Nunca me levanto cedo, mas hoje fi-lo. E dormi como se não tivesse dormido, em cima do limbo, na aresta da vida, com o coração aos pulos e a alma a transbordar. Levantei-me cedo, meio a cambalear. Abri a janela, inspirei com profundidade e olhei para o horizonte. Depois fechei os olhos e imaginei-me para além dele a abraçar o mundo.

De repente, comecei a regurgitar de forma galopante uma bebedeira de emoções. Seguiu-se uma tentativa, quase absoluta, de evitar o inevitável: refrear um sentimento de euforia inquietante que insistentemente me puxava e empurrava para lá do infinito. Como se algo estranho dentro de mim me fizesse pular da janela para cair num abismo absoluto. Era uma força bruta que me impelia para o niilismo absorvente das ruas, para as nervuras dissolventes do ar, para um rio combalido que corria sobre uma manhã diluída no tempo, para o tudo e para o nada. Sim, às vezes corro para o tudo e para o nada. Mas nada se parecia com aquela sensação inquietante de atravessar o desconhecido. Invadia-me uma vontade de viver, crescer e fazer! Sabem aquela sensação de querer absorver tudo com todos sentidos? Foi isso!

Descalça, fui até à varanda e, do 7.º andar, olhei para baixo, para me sentir elevada. De seguida, com calma, olhei para cima. O céu quase que me abraçava e sentia-o como se me arrancasse do chão para me levar para lá dessas emoções, para me fazer acreditar nos sonhos, num mar desconhecido, lânguido e sorvido pelos rochedos acostados nas sombras de ti.

Dois pássaros pararam no gradeamento da varanda. Depois, chegou mais um e outro, e depois outro… Os pássaros continuavam a chilrear no peitoril da janela. Essa janela que abri na busca incessante de remédios ligeiros por entre os fios da manhã, na ânsia de encontrar azinhagas prenhes de soldados em luta. Cerrei os olhos e estalei os dedos das mãos para me sentir na condição de viver a vida real, mas não estava a conseguir.

De repente, um espelho enorme e opaco atravessou a linha descomposta da minha vida e vi-me nele tão nitidamente como se me fosse entregar. Parei, no meio de um turbilhão de sensações, uma cara desconhecida tocava-me no ombro e desviava o olhar. Tentei atravessar, sem ser vista, a parede da razão subversiva para me conseguir encontrar. Foi então que acordei em suores e com o coração a explodir…”

Calma! Não era um pesadelo! Não estava a ter um ataque! Não ensandeci! Não tomei droga alguma! Nem pensem nisso, não preciso! De vez em quando, embebedo-me com as minhas próprias emoções e nunca abdico delas, nunca!

Nunca abdiquem das vossas emoções e dos sonhos, do que nos faz sentir humanos!

Filed Under: Hobbies Tagged With: escrita, leitura, literatura, livros, passatempos

Comments

  1. Zininha says

    15 de October de 2013 at 17:55

    Olá, Sónia… você esteve em minha página no facebook e deixou seu link… devo vos dizer, que apreciei deveras seus escritos…
    e se tem uma coisa que sempre estou é embriagada com minhas próprias emoções…
    lindo mesmo… estou aqui a te dar os parabéns… aparece no meu blog… será um prazer…
    Sou brasileira… mas com raízes portuguesas… até…
    volte quando quiser à minha page.

    https://www.facebook.com/byZininha

    Reply

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