O pára-quedismo militar na Marinha não é um assunto muito conhecido – nem falado: talvez porque, apesar de ser uma especialidade – a do pára-quedismo – com mais de cinquenta anos nas Forças armadas, a associação dos boinas verdes aos mares pareça fazer pouco sentido. Mas não faz.
O pára-quedismo
O pára-quedismo, muito mais do que um desporto de aventura ou radical, como já o rotularam, é uma técnica que requer conhecimento, destreza e capacidade de decisão, não acessível a todos – precisamente pelo risco e pela exigência que esta actividade comporta.
Na vertente militar, ainda pior – pois a componente alegadamente prazeroza do salto é substituída pelo desconforto da carga que o pára-quedista transporta consigo e pelo stress do combate que vai ter de enfrentar no terreno; pelo tipo de equipamento que utiliza e pelas circunstâncias do transporte em voo táctico ou pelas condições de visibilidade reduzida em que vai ter de operar -, não residissem na técnica, na segurança e na preparação para combate as maiores dificuldades da formação e do treino do pára-quedista militar. Porque não o pára-quedismo militar na Marinha?
O início do pára-quedismo militar na Marinha
Atribuir aos fuzileiros da Marinha qualificações em pára-quedismo militar foi, e continua a ser, uma luta que começou em 1997 com o envio de alguns elementos para a ETAT, âmbito do curso posteriormente alargado a todos os que prestam serviço na unidade, e em 2001 inicia o primeiro curso de Queda Livre Operacional, também frequentado na ETAT, abrindo assim portas para que um pequeno grupo do DAE fosse qualificado em saltos de grande altitude utilizando o sistema de abertura manual com recurso a equipamentos de oxigénio.
Esta valência, e uma vez que não requer um sistema automático de abertura com ligação à aeronave, permite, ainda, embora limitado à altura fisiológica, que o lançamento dos pára-quedistas se realize a partir de qualquer plataforma aérea, nomeadamente através dos helicópteros que a Marinha opera: o MK95 Lynx. Apesar desta possibilidade ainda não ter sido operacionalizada, está prevista brevemente a reunião de sinergias que permitam aproveitar a existência deste meio aéreo no ramo e a formação do salto já adquirida potencializando-se, assim, o investimento já efectuado. O pára-quedismo militar na Marinha veio para ficar.
Porquê atribuir a qualificação de pára-quedismo militar aos Fuzileiros?
Talvez a resposta passe, simplesmente, por argumentos racionais e de estratégia: o objectivo de cumprir missões não pode ter como obstáculo a incapacidade ou limitação de actuação na área de operações, isto é, a projecção tanto pode ser feita a partir do ar como da terra como do mar ou até mesmo conjugando-se as várias modalidades.
E porque não treinar os boinas verdes para combaterem a partir do mar? Sabe-se, no entanto, que a formação não é, per si, suficiente para garantir esta capacidade – é preciso manter as qualificações com treinos periódicos em ambientes e cenários tão parecidos, quanto possível, com aqueles em que um dia possa vir a ser exigido o seu emprego operacional.
E sai daqui a importância da manutenção semestral das qualificações, dos exercícios e intercâmbios conjuntos com inclusão de saltos operacionais. São treinos para chegar, pára-quedismo militar na Marinha, à excelência do ar no mar e no ar para o ar.

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