
Os Linda Martini, além de banda constituída por Pedro Geraldes, Hélio Morais, Cláudia Guerreiro e André Henriques, são também um fenómeno nacional com uma década de história, tendo vindo a conquistar cada vez mais fãs, através de hinos e melodias que nos penetram na alma e fazem sonhar.
Nos finais de Setembro, o grupo de músicos lançou o terceiro longa duração da sua carreira: Turbo Lento.
O título não poderia ser mais adequado. Do início ao fim, ouvem-se instrumentais rasgados e agressivos, intercalados com melodias divagantes e tranquilas.
O novo trabalho inicia-se com “Ninguém Tropeça nos Dias”, uma espiral instrumental e crescente que nos alerta e leva para o campo de batalha, através de uma bateria impaciente e de guitarras que ecoam no ar.
Estes dois serenos minutos rebentam em “Juárez”, provavelmente a música mais poderosa de todo o disco e que justifica a chegada de Turbo Lento ao top nacional de vendas. Através de gritos unidos e de um rock muito bem trabalhado, esta segunda música segue por um caminho atribulado, fazendo uma pausa numa melodia post-rock, suportada pela voz sofrida e apaixonante de André Henriques até desabar, novamente, num som bem marcante e característico da banda.
Chega-nos “Panteão”, uma das canções mais sentimentais e intimistas de toda a carreira da banda, munida de uma poesia fenomenal e que certamente será cantada por todos nós, nos próximos concertos do grupo. Por volta dos 50 segundos, a canção transforma-se num interlúdio definido e directo aos dois versos finais, terminando por fim em mais um instrumental soberbo e apelativo… lindo!
A quarta música, “Pirâmica”, começa novamente com uma bela poesia que é quebrada pelo melhor instrumental deste disco, na minha opinião. Só eu vos sei dizer como esta canção é intensa, e perdoem-me desde já a modificação do último verso que é cantado a plenos pulmões até ao fim.
“Sapatos Bravos”, é o nome da quinta música que nos faz recordar o segundo disco “Casa Ocupada”, com um ritmo galopante, frenético. Fecha-se os olhos e imagina-se os sapatos bravos, nunca vi uma corrida tão intensa.
Eis que surge “Febril (Tanto Mar)”, sente-se uma vontade de bater o pé no chão e de abanar a cabeça para aliviar tanta febre musical. O turbo está ligado, na verdade sempre o esteve, mas é impossível negá-lo com tal instrumental e versos implacáveis. Olá Chico, que surpresa ouvir-te aqui também, não fosse esta canção chamar-se também “Tanto Mar”.
Segue-se então “Tremor Essencial” com três versos bem pensados e muito reais. A música diz-nos que não devemos querer ser tudo de uma vez, que não devemos crescer rapidamente, que tudo chegará a seu tempo. Liguem o turbo, mas um turbo lento, lutem pelos vossos sonhos, mas com os pés bem assentes no chão. É este o percurso da banda até aos dias de hoje, desde sempre fenomenais, mas ganhando o seu espaço a pouco-e-pouco.
A oitava música, e primeiro single do disco, chama-se “Ratos” e qualquer apaixonado por música já deverá conhecer de trás para a frente, assim como conhecer o videoclip que nos causa impacto instantâneo. Linda Martini é isto, uma euforia audível, uma revolta constante e uma intimidade como nunca antes vista. A letra da música tem referências políticas, mas apela também à nossa sobrevivência moral e integral.
Ouve-se de seguida “Aparato”, se “Pirâmica” continha o melhor instrumental do disco, esta nona música apresenta-nos a melhor melodia de guitarra, que nos leva numa viagem crescente até à explosão de gritos “Tem que ser melhor, entrar, mexer, mexer, desarrumar”.
Décima e penúltima música, “Tamborina Fera”, dá-nos a sensação de que o disco está prestes a acabar, mas que acabará em grande. Esta música contém talvez o ritmo mais rápido do disco, é uma luta constante, acalmem a fera!
Acalmada a fera, chega-nos por fim a última música do disco, e também segundo single, chamada “Volta”. Já falei do melhor instrumental, da melhor guitarra, da melhor poesia… falta falar da melhor música! Esta é, sem dúvida, a melhor música do disco. É simplesmente inacreditável como se consegue dizer e sentir tanto em apenas quatro minutos.
O disco acabou, mas felizmente o seu fim é igual ao começo, usem e abusem do loop à vontade, o turbo não vai avariar.
Turbo Lento:
1. Ninguém Tropeça nos dias
2. Juárez
3. Panteão
4. Pirâmica
5. Sapatos Bravos
6. Febril (Tanto Mar)
7. Tremor Essencial
8. Ratos
9. Aparato
10.Tamborina Fera
11.Volta
Classificação: 10/10
Os Linda Martini mostram-nos, uma vez mais, que existe muita qualidade e criatividade em Portugal, obrigado.

DEIXE UM COMENTÁRIO