
A Indústria Portuguesa
Para falar da indústria para a defesa é preciso primeiro falar-se da indústria em geral. Porquê?
Em primeiro lugar importa, desde já, deixar bem claro que a indústria, embora não sendo o sector que mais contribui para a formação do PIB nas sociedades desenvolvidas, continua a ter um papel essencial para o desenvolvimento – desde que o seu funcionamento seja baseado nos mais avançados sistemas tecnológicos. Em uma outra perspectiva, mas que acaba por ir dar à mesma, os serviços têm vindo a ocupar um lugar cada vez mais alargado na economia.
O sistema financeiro, os transportes, as comunicações, os sistemas de informação, a logística, a cultura, a ocupação dos tempos livres e o turismo desenvolveram-se muito mas, de um modo geral, estão intimamente ligados a actividades industriais com as quais se integravam no passado.
Actualmente, em alguns casos, é mesmo difícil estabelecerem-se limites bem definidos entre a indústria e os serviços, pelo que são por vezes utilizadas expressões tais como “a indústria da cultura”, “a indústria do turismo”, “a indústria dos tempos livres”. Por isso, é tão importante sublinhar que o desenvolvimento e o apoio dos serviços exige sempre uma base industrial competitiva com uma forte componente tecnológica e uma grande capacidade de inovação.
Não há dúvidas, pois não?
A indústria para a defesa
Assim como a diferença entre indústria e serviços tem vindo a atenuar-se é ainda mais difícil separar a indústria para a defesa da indústria em geral. As tecnologias tendem a ser cada vez mais de duplo uso e a diferenciação faz-se ao nível do produto final.
Os equipamentos militares, por se situarem numa área de competição extrema, têm maiores exigências de supremacia tecnológica, capacidade e robustez e, por isso, estimulam o desenvolvimento de novas tecnologias que mais tarde são aplicadas em produtos civis.
Em consequência, as indústrias para a defesa situam-se em áreas de ponta da tecnologia e a sua actividade reparte-se pela área civil e pela área militar.
Também pode acontecer
que indústrias que desenvolveram a sua actividade na área civil, mas que possuem um elevado “know-how” tecnológico, possam vir a aproveitá-lo para, serem indústria para a defesa, fabricar equipamentos militares. De qualquer forma, é preciso ter em atenção que o elevado nível tecnológico é alcançado pelo esforço constante que a Defesa faz em investimento em I&D para poder obter os equipamentos mais avançados.
Por tudo isto, e porque cada vez mais os equipamentos militares são fabricados pela indústria civil, a sua produção constitui um factor estimulante e dinamizador para toda a indústria em geral e para a indústria para a defesa em particular.
Percebeu agora?
Portugal deve, assim, procurar apoiar a nossa indústria para entrar na fabricação de equipamentos, produtos e sistemas destinados à segurança e à defesa o que pode ser feito de duas formas:
- procurando satisfazer necessidades das nossas Forças Armadas com a indústria nacional, quer por aquisições directas, quer por contratos/programas de I&D e produção;
- através das contrapartidas, de preferência directas, na aquisição de grandes equipamentos e sistemas.

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