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Indústria da Defesa em Portugal: falta iniciativa privada

12 de August de 2019 by olinda de freitas Leave a Comment

indústria da defesa em PortugalO que dizer sobre a indústria da defesa em Portugal? Há correntes que consideram que Portugal não deve fabricar o que pode adquirir no exterior, mais barato e melhor. Por outro lado, há também opiniões que consideram que se Portugal não tomar a iniciativa de fabricar tudo o que puder, nunca chega a criar uma indústria com capacidade para desenvolver novas tecnologias e produzir equipamentos inovadores.

O que fazer?

Possuir uma indústria de defesa em Portugal só é possível se se começar a fabricar produtos já existentes a partir dos quais se desenvolvem outros inovadores, o que permite arrancar com a indústria e desenvolver um desejável clima de concorrência. A necessidade das Forças Armadas disporem de uma indústria que as suporte é essencial.

As Forças Armadas e o aparelho militar

Desde sempre as nossas Forças Armadas dispuseram de “arsenais” na sua dependência que lhes garantiam a manutenção e sustentação de todo o aparelho militar, nomeadamente dos grandes equipamentos e sistemas, do material blindado, das peças de artilharia, dos navios, dos aviões e restante equipamento.

Tais “arsenais” eram os estabelecimentos fabris das Forças Armadas, designadamente as OGMA, as OGME e o Arsenal do Alfeite.

Na actualidade, para além do desaparecimento da INDEP, verificou-se a privatização das OGMA sendo incerto o futuro das restantes.

Torna-se, por isso, necessário garantir a EuroDefense-Portugal e a Agência Europeia de Defesa e é imperioso que ao nível institucional se proteja a indústria de defesa em Portugal e se garanta a sua sobrevivência.

Situação da indústria de defesa em Portugal

Além dos “arsenais” que já referimos, a indústria de defesa em Portugal que produz equipamentos e sistemas e presta serviços às Forças Armadas é muito reduzida e concentra-se principalmente nas empresas que pertencem ao universo EMPORDEF.

Contudo, muitas outras empresas poderiam satisfazer necessidades das Forças Armadas e até concorrer no mercado europeu se para tal fossem criadas condições. Para além da sua pequena dimensão, a indústria de defesa em Portugal tem fundamentalmente problemas devidos à descoordenação e falta de informação, ao reduzido investimento e aos débeis mecanismos de apoio.

A questão é que…

Em Portugal, só as empresas ligadas à Defesa é que estão interessadas em assuntos de Defesa, o que significa que existem poucos empresários interessados nas questões desta área e daí a dificuldade em negociar com parceiros externos estratégicos.

Não se associando, as empresas não ganham espaço nem dimensão para alcançar o nível europeu onde todas as empresas fazem lobby sem a presença das portuguesas, o que leva a concluir que as interessadas, se não se mobilizarem, serão postas de parte.

Acrescente-se, no entanto, que as nossas empresas necessitariam do apoio de uma estratégia nacional no domínio da economia de defesa para poderem fazer lobby ao nível europeu.

Mesmo nas áreas onde temos algum know-how verifica-se o problema da falta de dimensão que levou algumas vezes a forçar investimentos que não resultaram, embora se reconheça que isto resulta também de um deficiente financiamento devido, sobretudo, ao facto de não ser reconhecida à indústria de defesa em Portugal a sua devida prioridade estratégica e também porque as encomendas da nossa defesa são insuficientes para a viabilizar.

Não existe uma Base Tecnológica Industrial estruturada em Portugal, apesar de termos know-how em três grandes áreas: software, aeronáutica e comunicações.

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Filed Under: DEFESA Tagged With: Agência Europeia de Defesa, armas, Arsenal do Alfeite, Base Tecnológica Industrial, empordef, EuroDefense-Portugal, forças armadas, indústria de defesa em Portugal, mísseis, munições, OGMA, OGME, segurança

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