Como é que ainda não despiu a bandeira?
Sim: falo da Bandeira Nacional, completamente depurada, despida até ao mastro – a Bandeira Nacional Republicana, aprovada em 1911 pela Assembleia Nacional Constituinte.
A Bandeira Nacional Republicana,
está dividida, na vertical, em duas cores: verde escuro, situado do lado do mastro ou da tralha, e vermelho.
O escudo das armas nacionais está bem ao centro, sobreposto à união das cores, ornamentado de branco, sobre a esfera armilar, em amarelo português e realçada de negro.
O comprimento da bandeira é o de vez e meia a altura da tralha e a divisão entre as duas cores fundamentais, verde e vermelho, é feita com dois quintos do comprimento total ocupados pelo verde e os três quintos restantes pelo vermelho (isto é que é pormenor!).
O emblema ocupa metade da altura, ficando à mesma distância das orlas superior e inferior.
Quem escolheu as cores, afinal?
Fique a saber que houve polémica e terá sido uma escolha aguerrida, até porque foram apresentadas variadas propostas tendo, no entanto, prevalecido a explicação da Comissão então nomeada pelo Governo.
No entender da Comissão, o branco representa «uma bela cor fraternal, em que todas as outras se fundem, cor de singeleza, de harmonia e de paz» e sob ela, «salpicada pelas quinas (…) se ferem as primeiras rijas batalhas pela lusa nacionalidade (…). Depois é a mesma cor branca que, avivada de entusiasmo e de fé pela cruz vermelha de Cristo, assinala o ciclo épico das nossas descobertas marítimas». (uma Comissão de Bandeira Nacional poética, portanto)
Em relação ao vermelho, explicam: «nela deve figurar como uma das cores fundamentais por ser a cor combativa, quente, viril, por excelência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre (…). Lembra o sangue e incita à vitória»; Já o verde – que não tinha tradição histórica em Portugal -, foi dada como explicação que na preparação da Revolta de 31 de janeiro de 1891, o verde terá surgido no «momento decisivo em que, sob a inflamada reverberação da bandeira revolucionária, o povo português fez chispar o relâmpago redentor da alvorada».
E a esfera armilar?
No que concerne à esfera armilar da Bandeira Nacional, que tinha já sido adoptada como emblema pessoal de D. Manuel I, estando desde então sempre presente na emblemática nacional, simboliza, consagrando, «a epopeia marítima portuguesa (…) feito culminante, essencial da nossa vida colectiva». E entendeu a Comissão fazer assentar o escudo branco com as quinas sobre a esfera armilar, consagrando «o milagre humano da positiva bravura, tenacidade, diplomacia e audácia que conseguiu atar os primeiros elos da afirmação social e política da lusa nacionalidade». (já estou corada de tanto orgulho)
Falta o escudo
Por fim, mas não menos importante de todo, a Comissão da Bandeira Nacional entendeu «dever rodear o escudo branco das quinas por uma larga faixa carmesim, com sete castelos», considerando que estes são um dos símbolos «mais enérgicos da integridade e independência nacional».

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