As origens da Escola de Aeronáutica Militar
A componente militar da aviação tem uma história: a história do esforço de muitas gerações de Homens que acreditaram na causa do ar e ajudaram a construir a Força Aérea Portuguesa – hoje herdeira das tradições da Aviação Militar que, numa primeira fase, foram desenvolvidas através dos aeroplanos, exclusivamente com objectivos comerciais e lúdicos de demonstração das novas possibilidades de locomoção aérea. Nascia a vontade de conquistar o ar.
A aviação emergente
Surgiu, entretanto, a necessidade de constituição de uma entidade que se ocupasse dos assuntos da aviação então emergente e foi, então, criado, em 1909, o Aeroclube de Portugal, o qual através de diversas iniciativas permitiu que a aviação desportiva fosse divulgada e estimulada com as primeiras demonstrações aéreas em Lisboa e na Amadora. O primeiro piloto português a obter a licença de voo foi Óscar Blank, residente em Paris, tendo efectuado o seu primeiro voo no aeródromo de Juvisy em 1909. Também Alberto Sanches e Castro, em Setembro de 1912, descolou do Mouchão da Póvoa para o primeiro voo em Portugal tripulado por um português.
Estimulação da Aviação Militar pela imprensa
Papel importantíssimo na estimulação às demonstrações aéreas teve a imprensa: jornais como O Século que, através de várias subscrições públicas para compra de aeronaves, veio a adquirir um Deperdussin e dois Voisin, e o Comércio do Porto – tendo este último adquirido um Maurice Farman que voou na cidade do Porto em Setembro de 1912. O Deperdussin e o Maurice Farman vieram posteriormente a ser integrados na Aviação Militar.
Aeronave Deperdussin

A previsível utilização do aeroplano como arma aérea teve como resultado a preparação de um projecto de lei para a criação de um Instituto de Aviação Militar, apresentado na Câmara dos Deputados em 1912, pelo Dr. António José de Almeida.
Embora este diploma não tenha sido aprovado, impulsionou a criação de uma Comissão de Aeronáutica Militar que veio a ocupar-se dos estudos subsequentes e, definitivamente, marcantes na evolução da Aviação em Portugal.
A Comissão defendia que seria fundamental assumir, como prioridade, a edificação de uma escola com áreas de descolagem e aterragem que obedecessem a critérios e requisitos que permitissem a operação das aeronaves e o respeito pelas condições que pudessem garantir uma actividade aérea tão segura quanto possível para a época.
Preconizava, igualmente, a formação de pilotos que, após a respectiva preparação, seriam instrutores. O objectivo seria desenvolver, e formar, militares para esta nova área de especialização profissional.
Consolidação da Aviação Militar
Um caminho evolutivo de criação e desenvolvimento resultou no primeiro voo da Escola de Aeronáutica Militar de Vila Nova da Rainha, berço da Aviação Militar Portuguesa, efectuado por um piloto militar português numa aeronave do Ministério da Guerra.
Hoje, celebramos as comemorações do centenário da Aviação Militar que se vão desenvolver ao longo de dois anos – o biénio 2014 a 2016 -, correspondente ao período do levantamento das infraestruturas, estrutura organizativa, formação dos pilotos no estrangeiro e criação das condições necessárias e suficientes ao funcionamento da escola, ou seja, a realização de cursos de pilotagem.

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