Uma das causas de morte nos acidentes de viação continua a ser o consumo de cannabis, cuja incidência em jovens do sexo masculino tem vindo a aumentar conforme refere o site Publico baseando-se em dados do Instituto de Medicina Legal.
As mortes por acidentes na estrada, entre 2012 e 2013, terão como 87,5% de causa o consumo de cannabis – uma droga que inibe, tal e qual o álcool, os reflexos e avaliação do perigo
A sinistralidade na estrada tem uma tendência para diminuir. No entanto, os acidentes de viação analisados entre 2012 e 2013 terão sido fatais devido ao consumo indevido de cannabis que, pelas propriedades, tem o mesmo efeito que o álcool junto dos seus consumidores. Sabe-se que dos 52 mortos registados, 87, 5% dos condutores – e jovens – estavam sob efeito activo da droga.
Esta questão a semelhança dos efeitos entre ambas as substâncias coloca a questão da liberalização da cannabis. Mas resolverá a questão do consumo incompatível com a condução? A verdade é que as mudanças nos padrões de consumo de álcool e das drogas em Portugal se fazem sentir estradas. E nos acidentes de viação.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) as vítimas mortais em acidentes de viação, regra geral, continuam a apresentar álcool. No entanto, é nas autópsias que a verdade mais se mostra: em forma de cannabis e sem outra substância associada…
Refira-se que em um total de 1632 autópsias efectuadas a vítimas de acidentes de viação, 509 acusaram a presença de etanol (31%) – a substância que indicia o consumo de bebidas alcoólicas. As autópsias revelaram ainda que 253 eram os condutores dos veículos e consumidores de cannabis. Agora atenção: 96% eram homens.
No caso das vítimas que apresentavam cannabis associada a outra substância, o vulgo cocktail mais comum foi a combinação com o álcool (68%), seguida da cannabis, com álcool e outras drogas (14%). De notar que a cocaína foi a segunda droga mais frequentemente associada à cannabis podendo assumir várias formas: desde as folhas secas (conhecidas como marijuana), resina (haxixe), óleo e pólen. Trata-se, suma importância, da substância ilícita mais consumida em Portugal, com prevalências superiores a 9% ao longo da vida.
Aumento de casos fatais em acidentes de viação em Portugal associados ao consumo de cannabis é preocupante
Se conduzir não beba é uma máxima que tem vindo a produzir bons resultados na estrada, já que se verifica um decréscimo do abuso de bebidas alcoólicas. Mas e a cannabis? Conforme alega o responsável do Instituto de Medicina legal “De há dois ou três anos para cá, não antes, notei que alguns casos de autópsias de jovens vítimas de acidentes mortais apareceram-me pela primeira vez apenas com cannabis positiva no sangue, não tendo álcool, que ainda é o mais vulgar nestes casos, ou até mesmo a associação com outras substâncias”.
Sejamos realistas: o controlo é maior e por isso se descobrem mais casos fatais em acidentes de viação cuja causa é o consumo de cannabis. A concordar com a análise do Instituto de Medicina Legal está Susana Henriques, docente da Universidade Aberta e investigadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa. A investigadora destaca a “tendência para o aumento do consumo e da tolerância social face a esta substância” .


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