No sector dos vinhos, como em qualquer outra actividade industrial, produz-se avultados efluentes que, se descurados, representam numa forte poluição ambiental. É necessário, então, que a indústria em questão saiba como avaliar as suas características quantitativa e qualitativamente. Deve, igualmente, definir as medidas preventivas que pode implementar para reduzir os caudais de efluente e a carga poluente na origem.
Em muitas situações, basta aplicar uma gestão quase doméstica – tal como o combate ao desperdício de água e de produtos, a reutilização de águas para usos menos exigentes ou instalar sistemas em circuito fechado. Veremos o caso dos vinhos. De salientar que as soluções, mais à frente descritas, chamo-lhe tratamento, são apenas algumas das que estão comprovadas, pela prática, assegurarem bons resultados.
Produção de Vinhos
O sector dos vinhos engloba a produção de vinho e de produtos vínicos – licores, vermutes, aguardentes, espumantes. As águas residuais associadas à produção de vinhos têm a sua origem nas operações de vinificação (que compreendem a prensagem, filtração/ centrifugação, fermentação e primeira transfega), transfegas propriamente ditas, lavagens diversas (dos tanques e dos equipamentos) e acondicionamento dos vinhos.
Neste tipo de actividade, é usual fazer-se a distinção de dois períodos de laboração durante o ano: o primeiro, designado por época alta (vindimas/ vinificação), e um segundo a que se chama época baixa (armazenamento e engarrafamento).
Como são as águas residuais provenientes dos vinhos?
O efluente global relativo à produção de vinhos caracteriza-se por ser corado, com elevados teores em sólidos e matéria orgânica. No período de vinificação, as operações que implicam maior carga poluente são a defecação de mostos brancos, a filtração em vazio e a fermentação de brancos.
No caso dos vinhos tintos, anote-se, a fermentação é muito menos poluente – isto devido ao arrastamento, pelos bagaços, de grande parte da matéria sólida em suspensão.
Medidas preventivas
As medidas preventivas no sector dos vinhos visam essencialmente a redução de perdas e a adopção de técnicas de lavagem com menores consumos e menos poluentes devendo-se, para o efeito, separar grande parte dos materiais sólidos (bagaços, borras, bolos de filtração e de centrifugação) antes da lavagem dos equipamentos.
O simples facto de se proceder a uma descarga de lamas anterior à operação de lavagem das cubas, permite uma redução da carga orgânica poluente, por hectolitro dos vinhos produzidos, entre dez a trinta vezes. É também aconselhável a segregação dos efluentes concentrados e diluídos para tratamento em separado.
Como fazer o tratamento?
Os efluentes, provenientes do processo de produção dos vinhos, após adaptação microbiana, são susceptíveis de tratamento biológico. Podem, igualmente, utilizar-se os efluentes líquidos da vindima para rega de produtos arbustivos ricos em potássio e carenciados em azoto e fósforo.

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