Francisco, o Papa, é o homem verdadeiramente atemporal no mundo das coisas por dentro da religião católica – o homem que humanizou a igreja depurando-a até ao essencial e dando-lhe, por isso, revolucionando a religião, um novo sentido.
Pode um Papa ser homem antes de ser um Vaticanóide?
Papa Francisco que é também Jorge Mario Bergoglio. Ele chegou e iluminou, vem iluminando, a religião católica e o mundo. Ele é o Papa que pretende reformar a administração do Vaticano e estimular a sua participação nos grandes debates da actualidade. Abanou o mundo da matéria – o mundo em que vivemos: vamos fazer cair a idolatração do dinheiro, sugere ele e bem, humanizando assim o mercado laboral porque afinal são as pessoas que dignificam o trabalho e não o contrário; vamos orientar as energias do Vaticano para o mundo que não começa nem acaba no aborto e no casamento homossexual – dar primazia à propagação do amor em contexto destes assuntos ao invés de a igreja ser impulsionadora de contestações e violência descontextualizada em nome de uma moral facciosa; vamos apelar à liberdade individual como um bem absoluto e intocável; vamos colocar a nu os crimes praticados pelos homens da igreja que, por serem homens e eventualmente criminosos, merecem ser punidos na lei dos homens – já que a justiça divina será igual para todos; vamos tirar os cristãos da montra e incitá-los a que trabalhem, que façam obra, pela paz; vamos valorizar as mulheres, retirando-as da bolha que é a servidão e dando-lhes o reconhecimento do serviço.
Pois é. Não há Papa sem homem.
E é deste homem, de homens como este, repleto de luz e humanidade, que vive por debaixo de vestes e que descura o luxo e exalta a imensidão da pobreza, que o mundo precisa – o mundo não precisa de Papa com papas na língua, nos braços e no coração. Mais do que nunca, em uma era de valores ofuscados pela ganância e pela valorização pelos bens materiais, urge semear Franciscos aqui e acolá – pelos cantos e em recantos. Vamos espalhar a fé: a fé que mais não é do que sementinhas de esperança em mais e melhor. Há espaço para todos por cá, para todos os que queiram o bem comum – na religião, na política, na comunidade civil. Interessa, cada vez menos, o rótulo que é a crença ou o partido ou a cor ou o nome – importa, cada vez mais, sermos indivíduos que lutam em si pelos outros e que se fazem melhores para dar também o melhor. Porque o colectivo faz-se de particulares e os contributos individuais são as gotas que fazem, o mar de gente, o mundo.
Comece por si e depois semeie: atreva-se a ser à sua moda, sempre à sua moda, não um Papa, o Francisco.
(este artigo está escrito ao abrigo da antiga ortografia)

Muito focada esta autora, fortes competências de escrita e comunicação com o publico em geral, linguagem simples e ao mesmo tempo com estrutura inteligente!
Parabéns!