Sempre que saio de casa para umas belas férias em cultura sinto-me um pouco como Almeida Garrett que, ao olhar pela sua janela, decidiu parar de viajar no seu quarto e começar a viajar na sua terra. Pois a verdade é essa: sair de casa dá-nos outra perspectiva da vida e da forma de estar; é algo que nos amadurece e que nos alimenta o espírito! Viajar na mente não no faz viajar na terra, mas viajar na terra faz-nos viajar na mente.
No domingo passado, não saí de casa de manhã… Foi uma pena porque essa é a altura mais interessante, saudável e relaxante para se sair de casa! Nem que seja para ir passear no jardim e tomar o pequeno-almoço ao café, sentir o ar fresco na pele é uma maravilha!
Mas eu, que tive a infelicidade de ficar em casa, pus-me a fazer turismo de sofá e clicava nos botões à procura de algo interessante na televisão… enquanto isto, deparei-me com os canais do costume da televisão portuguesa com os respectivos canais de entretenimento em os apresentadores já se familiarizaram com o público.
Portugal na televisão e na Internet
Percebi, de facto, que a maior parte do entretenimento da televisão portuguesa faz apelo ao turismo dentro do nosso país. Tirando toda a confusão do quizomba, pimba e funk que é emitido com pausas regulares de 5 minutos, estes programas exploram as regiões, as suas tradições e mostram-nos os marcos culturais e civilizacionais que cada uma individualmente tem. Na minha singular opinião, é daí que pessoalmente retiro o mérito destes programas.
Sei que uma grande parcela da população que vê estes programas é idosa e, infelizmente, já não tem possibilidades para se deslocar… Já não têm forças para usar um chapéu e uns óculos de sol e sentir-se na pele de um genuíno turista. Outros, por sua vez, não têm dinheiro para explorar – falo daqueles que não têm mesmo dinheiro – porque pouco ou nada lhes sobra depois de pagar as contas.
Ainda assim, há outros que podem partir à descoberta e não o fazem. Há quem se cinja ao turismo de sofá, quem só explore o que a televisão lhes mostra e que gaste a sua riqueza noutros interesses, contentando-se com a pequena experiência cultural e turística que a televisão e a internet lhes conferem.
Sei que tratamos aqui das prioridades de cada um, pois uns preferem “ter” do que “ser”. Mas eu entendo que apostar nas experiências enaltece a nossa alma, e para mim o conhecimento satisfaz-me em muito maior medida!
Portugal na vida real e nas pessoas
Toda a gente que tenha tempo para isso deveria, pelo menos uma vez por ano, partir à aventura do que é rural, urbano, histórico ou campestre, e não se cingir só pelas zonas balneares algarvias de Agosto. Portugal é um país tão rico e tão cheio de história que existe sempre mais um lugar isolado ou perdido no mapa para explorar!
Adoro explorar o meu país, de me conhecer melhor e conhecer a cultura portuguesa nos seus diversos pontos. Este ano tive a feliz oportunidade de explorar um pouco do Alentejo, que é uma zona árida, quente e pacífica onde se faz muito bom turismo! Notei as diferenças e semelhanças entre Évora e de Beja, das pessoas, dos seus monumentos, da seu paladar e das paisagens sem fim! E ainda descobri Mértola, uma região tão longe e tão isolada em que nota-se nos olhos a curiosidade pelos turistas!
Na região de Lisboa e Centro provei um pouco da brisa do mar da Nazaré e regalei a vista com o estilo mourisco, gótico e manuelino em que está banhada a zona histórica de Sintra. Lisboa e Cascais têm um ar cosmopolita, urbano e moderno, ideal para aqueles que gostam de muita agitação.
Já na Região Norte temos a beleza das paisagens, das zonas rochosas, dos riachos e oásis em cascata escondidos no meio do arvoredo. Foi em Vila Flor que vi o céu mais estrelado da minha vida. E ainda não tive oportunidade de confirmas as maravilhas que se avistam no Gerês!
Ainda não pus pés nas Ilhas, uma vez que vivendo numa família de 5 impõe gastos mais avultados para a visita! Tenho amigos pela Internet que me falam da sua região e noto as diferenças do seu modo de estar e de pensar para aquele que eu tenho e que encontro aqui no continente.
Mas disto tudo retiro que a verdadeira riqueza cultural está nas pessoas, nos sotaques e nos seus hábitos, na sua afectividade ou hostilidade e de como o seu ambiente molda a sua personalidade! E isso é algo que a televisão não pode fornecer – o contacto directo, viver o país na pele! A televisão dá-nos uma amostra ou reaviva a memória de quem lá esteve, e só nos permite viajar um pouco na mente.
Para quem quer fazer verdadeiro turismo e viajar mais, saber mais, viver mais, tem necessariamente de sair do quarto e desligar a televisão. Não basta ler para conhecer, tem de se explorar e sair de casa! Isso é igualmente válido para quem quer conhecer o passado, pois saber “quando e onde” não basta – a experiência avassaladora de viajar no tempo dá-se quando se conhece o lugar (e logo em Portugal, onde há tanta história)! No fundo, fazer turismo é isso mesmo: é viajar no tempo, é explorar, é relaxar, é crescer…!

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