Outro filme que vi no canal Hollywood e, mais uma vez, um dos grandes filmes do cinema brasileiro (tendo como referência comparativa o filme “A Cidade de Deus”).
Este filme explana a problemática das favelas, usando como foco central uma equipa do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Este “esquadrão” faz intervenções de risco nas favelas quando a polícia, dita como “normal”, se vê perante situações descontroladas, ou seja, quando já não possuem os recursos – tanto armamento, como equipamentos e, ainda, a nível táctico – para resolver certa situação.
A história baseia-se na procura de um substituto por parte do Capitão Nascimento (Wagner Moura), para a sua função de chefe de uma das equipas do BOPE, devido a um grande acontecimento na sua vida, o nascimento do seu filho. Todos os problemas provenientes da preocupação para com a sua função, a forma como o Capitão Nascimento se entrega ao desempenho desta, ultrapassando os limites – quando necessário – para que a justiça prevaleça. Ele é a figura da esperança, apesar de ser difícil passar essa imagem ao povo, pois o BOPE pertence ao “lado dos maus”, é uma força policial.
São-nos apresentadas várias história secundárias – a do Aspirante Matias (André Ramiro) e a sua “vida dupla” dividida entre a profissão e a faculdade; a do Neto (Caio Junqueira) e a sua luta contra o sistema; a boca de fumo e a vida do “Baiano” (Fábio Lago) – que se vão ligando, o típico género de “histórias cruzadas” como é exemplo o filme “Snatch.“. Desta forma, ficamos com uma noção mais alargada do sistema criminal existente, sendo explorada a vida na favela – apresentando a relação do povo com os traficantes e a implicação do tráfico na vida da favela – bem como os esquemas utilizados pelos polícias para arranjar rendimento extra – são utilizados esquemas de protecção do mercado local, qual máfia –. Em contraponto, está o BOPE a lutar contra ambas as “facções”, tanto traficantes como polícias, quase como que uma “bóia de salvação” para o povo brasileiro que sofre perante a maldade destes dois grupos opressivos.
Este filme traz-nos uma abordagem diferente ao tema das favelas, além de denunciar a corrupção dos polícias (tema normalmente abordado nos “filmes das favelas” do ponto de vista do povo e não internamente), apresenta-nos a realidade do BOPE. É interessante ver os seus treinos a um nível militar e como “peneiram” os recrutas até à exaustão, minimizando ao máximo o erro na seleccção.
Resumindo, gostei deste filme por focar um tema que me interessa e, ainda, ir um pouco mais longe. Sei que o Tropa de Elite 2 denuncia ainda mais e a um nível mais elevado (Políticos). Quando voltar a ver esse filme, deixo aqui a minha opinião.
Para quem gosta deste tema, vejam, vale mesmo a pena.


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