O trabalho assume um lugar central na vida humana, já que é um elemento primário da integração social dos indivíduos. Não podemos também esquecer que o trabalho é uma das mais importantes fontes de sentido, sendo mesmo visto como uma medida do valor pessoal. É através do trabalho que cada um de nós define a sua identidade, o seu valor social, o seu prestígio.
A importância do trabalho
Podemos mesmo afirmar que o trabalho não é uma atividade entre outras; antes pelo contrário, exerce na vida pessoal uma função psicológica específica, já que põe o indivíduo à prova nas suas obrigações práticas e vitais, o que lhe permite estar em relação com os outros e com o mundo. Através do trabalho, o sujeito descobre as suas competências e capacidades. Mas, por outro lado, quando o trabalho perde o seu sentido, não permite a realização de metas e objetivos de vida, gerando insatisfação e ansiedade. O trabalho é também a inscrição numa história coletiva, uma demarcação de si mesmo, na qual o ser humano pode dar a sua própria contribuição para os outros e para a sociedade.
Concluímos então que o trabalho não é apenas um meio para atingir a viabilidade económica e o estatuto de adulto na sociedade. É através dele que podemos expressar e desenvolver a nossa personalidade e estabelecer relações com a sociedade.
A situação do mercado de trabalho e o desemprego
O que dizer então do momento atual, em que uma fatia considerável da população está excluída do mercado de trabalho? Que meios são utilizados para os indivíduos se definirem enquanto pessoas? Que fontes identitárias emergem quando o trabalho deixa de estar presente nas nossas vidas? Seremos um conjunto de pessoas sem rosto, sem personalidade, sem objetivos? Para além das graves consequências financeiras adjacentes ao desemprego, surge também um conjunto de problemáticas de índole psicológica e social, que nem sempre são devidamente consideradas. A exclusão social associada ao desemprego é uma das faces do problema, muitas vezes, exacerbado pela incapacidade que o indivíduo tem de se definir enquanto pessoa e de compreender o seu lugar no mundo e na sociedade. E esta indefinição identitária contribui para uma crescente desmotivação, que dificulta a possibilidade de desenvolver ações que permitam resolver o problema do desemprego. É um ciclo vicioso difícil de quebrar, principalmente pelo facto de não existir um verdadeiro apoio ao nível da reintegração profissional dos desempregados.
Estamos perante uma problemática complexa, com diversas vertentes e que, certamente, terá consequências marcantes no futuro da nossa sociedade. Teremos de redefinir toda a nossa rede de valores e significados a partir do momento em que uma fatia considerável da população não está integrada no mundo do trabalho? Como vamos lidar com o desemprego? Teremos de ver o trabalho com novos olhos? Será necessário estipular novos sentidos para a vida humana? Estamos preparados para isso?

DEIXE UM COMENTÁRIO