Muita tinta já correu sobre os jogos dos quartos-de-final da Taça da Liga 2013/2014, nomeadamente no que respeita à disputa entre Sporting e Porto por causa da disparidade temporal entre os jogos de ambos, na última jornada do respectivo grupo. No entanto, parece que ainda ninguém se debruçou sobre o cerne da questão.
Não será uma questão de 4, 5 ou 6 minutos, ou ainda se o jogo terminasse ao mesmo tempo o resultado não seria o mesmo. A questão aqui tem a ver com princípios. Tem a ver com ética e os meios utilizados para se atingir um fim. Durante as últimas décadas, gerou-se e desenvolveu-se em Portugal a tese de que o que importa é ganhar, não interessa como.
Ganhar sem olhar a meios tornou-se moda. A Taça da Liga pode ser o início da inversão
O expoente máximo desta tese, que começou bem no início dos anos 80 do século passado, é José Mourinho. Admirado por muitos e odiado por alguns, Mourinho tem tanto de bom como de nefasto para o futebol mundial. E isso reflecte-se em pequenos episódios como o da Taça da Liga.
Hábil nos «mind games» e em colocar a pressão em «seara alheia», fora alguns episódios menos dignificantes, como segurar a bola em lançamentos laterais ou até agarrar jogadores da equipa adversária, Mourinho é o «supra sumo» do vale tudo. Juntando Mourinho e um presidente hábil e habituado a vencer seja de que forma for, era fácil adivinhar os êxitos de Mourinho no Porto e noutros clubes similares, como o Inter ou o Chelsea.
O futebol precisa de mudança e este ano pode ser o início de uma nova era
No entanto, o futebol precisa de mudar e de mudança. Como alguém há tempos disse, o «futebol precisa de um 25 de Abril». O futebol e o país, acrescentaria eu. É urgente voltar ao puro, às fintas e corridas, à limitação de jogadores estrangeiros e à aposta nos jovens da formação.
É urgente voltar a colocar famílias nos estádios, a garantir a sua segurança e é urgente que se saiba ganhar a perder. Ora, a questão da Taça da Liga prende-se com isso mesmo, com a pureza do futebol e a trapaça, a «chico espertice» e o tentar «dar a volta por outro lado». Tudo questões que resultaram em vitórias nas últimas décadas, mas que estão a começar a deixar de ser moda. E a Taça da Liga pode bem ser um vento de mudança, um sinal de que o futebol pelo futebol está de volta.
Neste sentido, era importante que a Taça da Liga servisse de exemplo a todos quantos já deram, continuam a dar e tentarão dar a volta às coisas no futuro, independentemente de conseguirem ou não os seus intentos. Por uma questão de orgulho e porque há famílias com vontade de voltar a ver futebol de verdade…aquele se só se joga dentro do campo.

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