No passado sábado, fomos convidados a entrar na vida privada do actor Diogo Infante, quando este anunciou, através da página oficial de facebook, o seu casamento com o empresário Rui Calapez. No texto publicado pelo actor pode ler-se o seguinte: “(…) Casei-me porque, felizmente, vivo num país que o permite fazer, mas tenho direito à minha privacidade e a perseguir a felicidade nesta viagem a que chamamos vida. (…).” De facto, a lei 9/2010, que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, foi publicada em Diário da República a 31 de Maio de 2010, e quanto a isso estamos conversados.
Como seria de se esperar, após o anúncio do actor, começam a ler-se, por vários sítios de internet, comentários sobre a notícia, posteriormente publicada nos diferentes jornais diários. Se os há os que felicitaram o actor, outros há que teceram comentários homofóbicos. E é aqui que quero chegar: à homofobia.
Declarações e comportamentos homofóbicos poderiam ser considerados normais, num país que é tão infantil em termos de democracia (Portugal conhece-a há apenas trinta e nove anos): sim, poderiam; poderia pensar-se que ainda não tivemos tempo suficiente para educar as pessoas para e na liberdade – aquela liberdade que acaba quando começa a liberdade do outro: sim, poderia. Não obstante, como pode um cidadão português ter a competência para entrar numa rede social e não ser capaz de aceitar as opções sexuais do seu semelhante?; como pode um cidadão português ser tão tecnologicamente avançado e, ao mesmo tempo, ser tão retrógrado em relação a questões sociais como esta? Estará a nossa sociedade a colocar a educação tecnológica à frente da educação social?
A discriminação com base na orientação sexual é apenas uma, em várias, com a qual temos o dever de acabar, enquanto educadores informais. Cabe-nos a nós, portanto, demonstrar que vidas são vidas, e que não é porque essas vidas não seguem um padrão social que têm que ser vistas como um ataque à sociedade. A homossexualidade não é um ataque à sociedade, não. A mesquinhez de quem a julga, essa com toda a certeza. Mas, verdade seja dita, o que se espera de uma sociedade, em que não sei quantos milhões vêem uma casa cheia de pessoas à espera da primeira escorregadela dos que lá habitam?

DEIXE UM COMENTÁRIO