
A temática das guerras e conflitos mundiais desde sempre alimentaram a curiosidade de cientistas e doutos, leigos e curiosos um pouco por todo o mundo.
Ensinar a Shoá, termo hebraico para o Holocausto nazi, no sentido de preservar a memória dos que não resistiram e educar para o futuro, para uma maior e melhor humanidade, é uma tarefa quase missionária e gratificante.
Um tema difícil de abordar, pois remexe nas estranhas da mente, que vai buscar os pensamentos mais delicados e faz regurgitar sentimentos tipicamente humanos, num mundo que ainda é altamente desumanizado.
Num mundo cada vez mais globalizado e em permanente mutação, ensinar o Holocausto nazi é tão fundamental como saber como o fazer.
Por outro lado, ao contrário do que se possa pensar, pelo facto de se tratar de um tema que inclui abordagens de extrema violência, deve ser trabalhado desde tenra idade, segundo os especialistas, ainda no 1.º Ciclo.
Porquê ensinar a Shoá?
Para preservar a memória, como forma de perpetuar o conhecimento da história de um povo, neste caso do povo judeu, principal vítima do Holocausto Nazi, é fundamental empreender estratégias que possam dotar os alunos e futuros cidadãos de uma fortaleza humanitária com base tolerância e respeito pelo próximo.
O estudo da Shoá permite o entendimento dos perigos do racismo e xenofobismo, bem como dos estereótipos sociais, através da aceitação do pluralismo de crenças e ideologias.
Por outro lado, trabalhar o tema alerta para os perigos do mau uso dos avanços tecnológicos, pois ficamos a conhecer como uma nação, aparentemente moderna e altamente cristalizada no progresso cultural, científico e tecnológico pode colocar esse conhecimento ao serviço de um mal sem limites.
Constitui-se ainda como um alerta no que concerne à reflexão sobre o abuso de poder, nomeadamente nos estados autoritário, que pode ser perpetuado por um ou mais indivíduos, assim como a importância do papel ativo de cada um na manutenção de direitos civis.
A complexidade e a profundidade do Holocausto Nazi dá-nos uma perspetiva de como a convergência de determinados fatores pode resultar na gradual desintegração dos valores democráticos.
Por fim, o Holocausto nazi torna-se o palco ideal para aprofundar temáticas como opressão e autonomia de povos, direitos e liberdades humanas, alertando para o perigo da indiferença perante uma eventual escalada de violência.
Como trabalhar um tema tão difícil?
Segundo Anna Arendt, não há história mais difícil de contar do que a História do Holocausto Nazi. Ainda assim, esse trabalho deverá ser realizado com o propósito acima referenciados e dentro de uma determinada lógica e dinâmica pedagógica.
Em primeiro lugar, é fundamental definir/destrinçar conceitos e trabalhar a ideologia política subjacente, ou seja, contextualizar no tempo e no espaço.
Seguidamente, será interessante explorar as ideias tácitas dos alunos e criar um ambiente de aprendizagem interativo e motivador, com recurso a imagens e a testemunhos, e aos meios digitais que temos à nossa disposição.
A utilização de testemunhos na memória do Holocausto nazi é um recurso excelente na medida em que personifica uma história, através de várias experiências reais. Por outro lado, aproxima mais os alunos desta realidade.

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