Apesar das relações de incesto serem um fenómeno de proibição universal, ocorrem. E com frequência!, ou seja, a constatação de que as relações incestuosas têm sido consideradas, nas mais diferentes épocas e lugares, como imensamente perniciosas e condenáveis – não significa que não acontecem.
Que explicações existem para as relações de incesto?
A polémica instalou-se em vários ramos da ciência humana, inclusive na antropologia, quando Lévi-Strauss sustentou que a proibição das relações de incesto é universalmente imposta com a finalidade estabelecer a troca de mulheres entre homens – uma condição indispensável à instituição do casamento, da família, do parentesco e da própria vida social.
A explicação mais vulgar acerca das relações de incesto proibidas situa-se na protecção da espécie humana perante as consequências genéticas nefastas do casamento entre parentes próximos. Sabe o que é que isto quer dizer? Que em causa está o parentesco e não a consanguinidade!, ou seja, em sociedades com sistema de parentesco unilinear os filhos de irmãos do mesmo sexo podem cruzar-se. Ora do ponto de vista da consanguinidade, a relação de incesto existe e é permitida!
Só proibimos o que desejamos, certo?
Agarrar a explicação de que a proibição existe tendo por base o horror natural pelas relações de incesto é ridícula. Quero dizer que se este horror existisse na realidade não haveria desejo em praticá-lo e, logo, a proibição não teria qualquer razão de existir. Ademais, o simples facto de haver relações incestuosas já deita por terra, por si só, este argumento.
A verdade verdadeira é a de que as relações de incesto abalam a ordem social e por essa razão são proibidas pela sociedade…
Saiba que passou a ser o principal argumento de Lévi-Strauss depois de esgotar os de cariz biológico e psicológico. Isso mesmo: muito antes de serem imorais, as relações de incesto são socialmente inaceitáveis e inconcebíveis.
Incesto e parentesco
Voltando à teoria da troca de mulheres Simone de Beauvoir, imensamente interessada em analisar a condição feminina através dos tempos, diz assim: “a mulher não é nunca o símbolo de sua linhagem, ela é apenas a mediadora do direito, não a detentora”.
Igualmente, a antropóloga Gayle Rubin estudou a operacionalidade da noção da troca de mulheres de Lévi-Strauss, concluindo que a opressão da mulher situa-se na organização social do parentesco, da sexualidade e da reprodução, e não na biologia!
Todos estes pensamentos, e estudos, acerca da proibição das relações de incesto servem para mostrar que esta proibição institui, não só o casamento mas também e simultaneamente, o parentesco.

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