A suposta recuperação do emprego em Portugal merece língua afiada, conforme um artigo do site expresso. Ilusões são ilusões e factos são factos – e os factos são, já todos o sabemos, sistematizações da realidade. Vamos, então, a elas.
Falácias, ou ilusionismo da verdade, uma mania cada vez mais recorrente do governo laranja
Tem sido relativamente fácil, a este governo e seu rebanho, utilizar dados estatísticos para fazer chegar ao povo uma mensagem que não corresponde à realidade, puro ilusionismo que coloca fortemente em perigo a credibilidade e o trabalho sério do mercado das estatísticas.
A maior falácia da actualidade sócioeconómica portuguesa que anda nas bocas do mundo refere-se à taxa de desemprego e à suposta recuperação do emprego em Portugal.
“É principalmente com base na redução da taxa de desemprego de 17,5% (no 1º trimestre de 2013) para 13,9% (no segundo trimestre de 2014) que de há alguns meses para cá, entre discursos políticos, declarações em universidades de Verão e análises cúmplices de comentadores, se tem vindo a procurar passar a ideia de um sucesso notável no combate ao desemprego em Portugal, porventura “a mais acentuada redução da União Europeia”.
Sem ser através de estatísticas manipuladas consegue-se sustentar a suposta recuperação do emprego em Portugal?
De acordo com o que vai correndo por aí, informação manipulada e mentirosa, o número de desempregados diminuiu muito. No entanto, o número de empregos aumentou pouco. Se as tabelas relativas ao emprego do Boletim Estatístico do Banco de Portugal (que compila dados do INE, Eurostat e Bureau of Labor Statistics), foram devidamente analisadas constata-se que o desemprego no 2º trimestre de 2014 em Portugal ascendia a 729 mil pessoas face às 952 mil do 1º trimestre de 2013. Ora estes dados demonstram um decréscimo acentuado.
É possível igualmente verificar que o emprego total no mesmo período passou de 4.433.000 para 4.515.000. Quer isto dizer há 223 mil desempregados a menos mas apenas 93 mil empregos a mais. Os restantes 130 mil neste período são aqueles que ou emigraram ou passaram a ser considerados inactivos por estarem invisíveis na procura activa emprego.
Onde está, então, o grande sinal de recuperação do emprego em Portugal?
Pegando nos 93 mil empregos acima referidos referem-se a períodos diferentes do ano cujo efeito da sazonalidade se faz sentir de modo diferente já que há tipicamente picos de emprego no segundo trimestre de cada ano. Se fizermos uma análise comparada entre o 2º trimestre de 2014 -o relativo aos 13,9% de desemprego – e os segundos trimestres dos anos anteriores em termos de emprego total, a tal recuperação do emprego em Portugal vai na mesma para o esgoto.
Depois, é preciso ainda lembrar que a maior parte do emprego criado de forma efectiva no período em questão corresponde a estágios do IEFP e postos de trabalho promovidos pelo Estado no âmbito do chamado “trabalho socialmente necessário” (Contratos Emprego Inserção e Contratos Emprego Inserção +).Tratando-se de beneficiários do subsídio de desemprego, estas pessoas fazem transição automática da lista dos desempregados para a dos empregados…
Ora estes desempregados ocupados, que são contabilizados pelos ilusionistas como empregados, eram 79 mil em Janeiro de 2013. No entanto, em Abril de 2014 ascendiam já a 169 mil quando, na maioria dos casos, não se trata nem de salários nem de empregos em condições mas de uma forma temporária de manipular e esconder estatisticamente o desemprego – ao mesmo tempo que pressionam em baixa os salários no resto da economia.

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