São 10 h da manhã, estou sentada na esplanada de um bar de praia, algures, a beber um café…
O cheiro do café confunde-se com o cheiro a maresia, e desperta-me os sentidos… a alma fica alerta e surge aquele estado de espírito que nos embriaga numa paz… a sós…
Olho o horizonte e vejo o mar imenso, sob o olhar atento de um sol envergonhado, ainda desvanecido, pelo nevoeiro matinal, que se vai tornando, cada vez menos denso… Como um véu que se vai levantando aos poucos… permitindo assim que o sol se erga e surja com todo o seu esplendor…
A natureza é bela e perfeita quando a olhamos com sensibilidade, com a alma…
De outra forma, estaria aqui na “plateia” sem me aperceber do “espectáculo” com que a Natureza me presenteia…
Como diz o teu Principezinho: “O essencial é invisível para os olhos!”
São tantas as vezes, na nossa vida, que olhamos à nossa volta, com a “cegueira” de quem vive com os sentidos adormecidos, limitando assim, a visão do espectáculo no qual somos a principal personagem, limitando assim os nossos pensamentos…
Há uma imensidão de sentimentos e de estados no nosso interior, que só podemos descobrir, se soubermos conduzir os nossos pensamentos, pela apreensão das sensações que obtemos de tudo e de todos os que nos rodeiam… mas para isso, temos que olhar, da forma que o Principezinho refere.
E hoje, neste momento a sós, deixei-me guiar por essas sensações… Revi tantas pessoas que passaram pela minha vida, recordei momentos e situações que partilhamos, mas os meus pensamentos levaram-me às memórias do que elas me faziam sentir… aos sentimentos que cada uma delas despertava em mim…
É estranho, como é que tantas relações de Amizade, podem provocar tantas sensações diferentes. Não me revejo naquela frase: “Tenho poucos mas bons amigos.”, Sempre tive, e digo-o sem qualquer ingenuidade: sempre tive muitos e bons amigos.
E apesar de a vida me ter afastado de alguns deles, a memória do que foram para mim, cada um no seu tempo, permanece aqui dentro, e trazem saudade, em momentos como este… quando os recordo…
Depois de percorrer os “corredores da memória”, dos “tempos idos”, deixei-me rodear pelos sentimentos presentes, as pessoas que partilham a minha vida neste momento… e só foi preciso umas décimas de segundo, para tomares conta do meu pensamento…
Fiz aquilo que não é correcto, mas que a sós nos é permitido fazer… comparei… quer com as tais memórias que trago guardadas, quer com todas as minhas outras Amizades… e sabes… RE—descubro que não há comparação possível… Nunca tive uma Amizade assim… tão completa, tão intensa e tão especial…
Nunca nenhum outro Amigo, me faz sentir o que tu me proporcionas… Nunca me “dei” tanto, com tanta intensidade e sinceridade a uma Amizade…
Tento fazer o inevitável, “espreitar” o que o Futuro nos reserva… tentar delinear as probabilidades de acontecimento… e o meu maior medo é perder o que sinto hoje, e o vazio imenso que a tua ausência na minha vida deixaria…
Mas, quero dizer-te, e é essa razão pela qual te escrevo hoje, que…
Há algo que nem o tempo, nem a ausência, nem ninguém me poderão tirar… A memória de tudo o que me fazes sentir hoje, a memória de um sentimento que sem ti, eu desconheceria: a minha Melhor Amizade!
Deus, conhecendo a minha insatisfação nos sentimentos, deve estar lá em cima, com um sorriso no rosto, e a comentar: Então insatisfeita, queres mais que isso?? Consegues? Consciente de que me deu a “medida exacta” para me preencher…
E isso, é algo que permanecerá sempre aqui dentro… Obrigada por isso… Adoro-te!

Fantástico este texto, já li muitos dos vossos textos, mas este é soberbo, ADOREIIIIIIIIII …. Já ganhou, só pode ! São textos assim que fazem da leitura um prazer 🙂 Beijo