No início do século passado, a perturbação histriónica da personalidade era chamada de histeria – que ocorria essencialmente entre as mulheres. Hoje, sabe-se que esta patologia está presente em cerca de 3% da população.
Assim, de repente, o perfil comum do portador da perturbação histriónica da personalidade é um necessitado de constante atenção, bem dramático, muito emotivo, muito enérgico, manipulador, sedutor, impulsivo, inconstante e exigente. Esta pessoa possuirá um baixo limiar de frustração e uma forte dependência emocional.
Esta pessoa com perturbação histrónica da personalidade, que se começou a manifestar já na idade adulta, possui um estilo cognitivo superficial – sem pormenores, portanto. Impressionar os outros é o lema, sem sinceridade, teatralizando tudo a ponto de colocar em risco as relações interpessoais mesmo a nível profissional!
Talvez a perturbação melhore. Ou talvez piore: nunca se sabe…
Mas como diagnosticar esta perturbação com traços tão difíceis de identificar como desvios?
Especificamente, são as seguintes características que – todas juntas – permitem diagnosticar com exactidão a perturbação histrónica da personalidade:
As pessoas com esta perturbação sentem-se desconfortáveis quando não são o centro das atenções;- As pessoas com perturbação histrónica da personalidade apresentam comportamentos sexualmente inadequados provocantes ou sedutores para com os outros;
- As pessoas com esta perturbação expressam as suas emoções de forma superficial e facilmente as alteram;
- Com perturbação histrónica da personalidade, as pessoas usam a própria aparência física para chamar a atenção;
- Em comunicação com os outros, querem apenas impressionar e fogem aos detalhes;
- O dramatismo e o exagero das emoções também caracteriza esta perturbação;
- São pessoas bastante influenciáveis e sobrevalorizam o nível de intimidade nas relações.
Como tratar a perturbação histrónica da personalidade?
A perturbação histrónica da personalidade pode durar a vida toda ou ficar-se por alguns anos em terapia psicanalítica, a que mais incide na ajuda aos pacientes a adquirirem consciência dos seus sentimentos reais. No entanto, também o tratamento através da terapia psicodinâmica é possível – mais a longo prazo – no sentido de estimular a diminuição da reactividade emocional das pessoas com a perturbação histrónica da personalidade.
Intimidade e memórias são as ferramentas das terapias.
A terapia cognitivo-comportamental
É um tratamento orientado para a diminuição dos pensamentos disfuncionais, em relação a cuidar de si mesmas, das pessoas com a perturbação em questão. Esta terapia pretende, portanto, provocar uma mudança de pensamento, holístico, sugestionável, por um foco mais metódico, sistemático e estruturado sobre as dificuldades e os problemas:
- desafia aos pensamentos automáticos sobre a inferioridade e o não ser capaz de lidar com a vida;
- ensina as pessoas com perturbação histrónica da personalidade a identificar os pensamentos automáticos, a trabalhar o comportamento impulsivo e a desenvolver melhor as capacidades de resolução de problemas;
- o treino de assertividade ajuda estas pessoas a aprender a lidar com os seus próprios recursos.
Muito importante: Esta terapia comportamental faz uso de técnicas de modelação e ensaio comportamental para mostrar a estas pessoas o efeito do seu comportamento teatral sobre os outros num ambiente de trabalho.
São igualmente, e em grupo, trabalhadas as relações interpessoais. Acresce a terapia familiar cujo objectivo é treinar o evitar de conflitos.
Atenção: A terapia com fármacos não é um tratamento de escolha para as pessoas com este tipo de perturbação, a não ser que ocorra em simultâneo com outra perturbação como, por exemplo, com depressão. Neste caso, os antidepressivos podem ser prescritos!

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