Será, a religião, como afirmou Karl Max, o ópio do povo?
Muitos são os que se questionam a existência de Deus, muitos são os que a negam com argumentos científicos. Outros tantos, ou mais, sentem-no a palpitar dentro de si, encontram-o na magia da vida ou no seu ritual semanal.
Há quem integre esta existência no seu quotidiano de forma a ser mais feliz, há quem a radicalize e há quem ignore esta presença.
Nesta base, existem instituições especializadas em traduzir as palavras de Deus para a compreensão de quem o procura.
A religião é, talvez, uma empresa. Todas as empresas vendem algo. A religião vende fé. E tem toda a legitimidade para tal (pelo menos não é ilegal!). Transformou a matéria-prima em mercadoria.
Vender fé só por si não era, certamente, um negócio rentável, então transformou-a em rituais. Estes rituais vão de encontro à necessidade inata que o ser humano tem de acreditar em algo. Construíram-se histórias e delas transbordaram personagens que ficaram para a história.
Os rituais e os templos libertam as almas, silenciam as mentes, acariciam os corações e deixam-nos em paz. Todos nós já experimentámos o silêncio de um templo sagrado, já respirámos o ar que ali circula, já saímos de lá com a alma limpa.
A base comum das religiões
O facto é que todas as religiões têm uma base comum: o amor. E para acreditar no amor é preciso ter uma religião?
Cada religião confere ao amor a significância mais apropriada ao seu contexto, e é por aqui que atraí os seus seguidores. Muito para além da fé, o ser humano precisa acreditar no amor para superar todos os medos que a vida vai colocando no caminho. Só o amor vence o medo, e por isso, quando não o encontramos dentro de nós precisamos procurá-lo fora.
O que está fora, é apenas um reflexo do que existe dentro. A vida é um espelho, por isso, a religião, ou o Deus, apenas devolvem ao seu seguidor, o reflexo do que se encontra dentro dele, emaranhado nas emoções resultantes do medo.
Estas instituições podem salvar corações carentes, pedem em troca a devoção e o agradecimento. A gratidão e devoção são essenciais para uma vida saudável e equilibrada. A expressão da gratidão pelas coisas boas da vida, atrai mais coisas boas. E para a expressar voltamos à necessidade de um ritual, esteja ele inserido numa religião ou não.
Há quem crie os seus próprios rituais e há quem adapte os que são ensinados. Devemos, acima de tudo, ser conscientes do ritual e entendê-lo a partir do coração. Seguir rituais impostos por outros não vai trazer paz, nem conforto, nem tampouco libertação às almas que sofrem, vai apenas aumentar a sensação de impotência perante a vida e dar força ao medo, por intermédio da dependência, que se cria em relação a esse ritual.

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