Produzem-se muitos e perigosos efluentes na indústria química, mais concretamente no sector de plásticos, resinas sintéticas e elastómeros, no sector das tintas e vernizes, na indústria de adubos químicos e nas refinarias. Estes efluentes, se descurados, representam numa forte poluição ambiental. É necessário, então, que a indústria em questão saiba como avaliar as suas características quantitativa e qualitativamente. Deve, igualmente, definir as medidas preventivas que pode implementar para reduzir os caudais de efluente e a carga poluente na origem.
Indústria de plásticos, resinas sintéticas e elastómeros
Neste sector, obtêm-se produtos de síntese a partir de compostos de baixo peso molecular, por processos de condensação ou de polimerização por adição. os efluentes provenientes da produção de resinas de fenol-formaldéido contêm altos teores de fenóis.
Os que provêm da produção de resinas de ureia-formaldéido e de melamina-formaldéido contêm formaldéido, alcool metílico e resinas em suspensão. As águas residuais que provêm do fabrico por polimerização por adição são essencialmente águas de refrigeração e águas provenientes do tratamento final dos produtos (separação da fracção polimerizada e lavagem do polímero).
Sector de tintas e vernizes
Neste sector, os efluentes são principalmente águas de refrigeração e águas de lavagem das cubas de preparação e armazenagem dos produtos. As águas de refrigeração não são poluentes; as águas da lavagem do equipamento são alcalinas.
Os adubos azotados e fosfatados,
têm uma grande importância no contexto da fabricação de adubos: os azotados são essencialmente fabricados à base de amoníaco (obtidos a partir de nafta ou por processamento electroquímico) e os fosfatados, produzidos em Portugal, são os superfosfatos – obtidos a partir de fosfatos por tratamento com acido sulfúrico. O superfosfato triplo é obtido através da extracção de minerais fosfatasdos pelo ácido fosfórico.
Os efluentes resultantes, então, das fábricas de adubos químicos, apresentam – embora com composições variáveis com o tipo de adubo produzido – altas concentrações em sais minerais (cloretos e nitratos) e outros elementos tóxicos como chumbo, arsénio, cobre e flúor.
Nas refinarias,
os efluentes contêm petróleo livre emulsionado, proveniente de fugas e vazamentos de tanques, hidróxido de sódio, lamas decantadas dos fundos dos tanques, águas condensadas dos separadores – dos destilados e da transfega dos depósitos -, coque dos tubos, das torres e outros equipamentos, gases ácidos, restos de catalisadores, produtos químicos provenientes da fabricação de subprodutos e águas de refrigeração.
Como podemos tratar tudo isto?
Os efluentes provenientes da indústria química não suportam, na generalidade dos casos, tratamentos biológicos. Os tratamentos físico-químicos dependem das características dos efluentes e podem incluir coagulação química, clarificação, absorção com carvão activado, oxidação e redução de compostos tóxicos, entre outros.
Para além destes processos de tratamento tradicionais, existem no mercado novas tecnologias que foram desenvolvidas de modo a permitir a neutralização da água tratada, a recuperação de contaminantes (por exemplo metais pesados) e a minimização do uso de produtos químicos no tratamento de efluentes. A título de exemplo, refira-se as tecnologias de membrana (microfiltração), a oxidação fotoquímica e a electrodiálise.

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