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Onde começa a história do agricultor: a aldeia mais antiga do mundo

29 de June de 2019 by aphi Leave a Comment

A estrada sobe ladeada por campos de trigo que podiam ser os do Alentejo. O Göbekli Tepe é o topo de uma pequena elevação no terreno, que se estende num planalto por entre os montes, a sul do Eufrates. O seu nome quer dizer monte com barriga. É possível ter o horizonte durante largos quilómetros para todos os lados. Para norte, a cordilheira das montanhas Taurus e a este o Karadağ. Para sul, a planície de Harran a esticar-se até à Síria.

Foi descoberto na década de 60 por arqueólogos americanos que erroneamente o interpretaram como as ruínas de um mosteiro medieval. Foram precisas três décadas para que um pastor local reparasse nas antigas pedras escavadas de vestígios ancestrais. Os rumores chegaram aos ouvidos dos curadores do museu local em Salinurfa e eventualmente ao ministro encarregue da História e da Cultura. O German Archeological Institute, em Istanbul, foi contactado sob ondas de grande entusiasmo. O arqueólogo Klaus Schmidt chegou em 1994 e apercebeu-se de que os artefactos eram tão antigos como os encontrados anos antes nas proximidades, datados de 9 000 anos a.C. As escavações iniciaram-se no ano seguinte.

Pouco se fez até hoje, que é como quem diz, até 2002, o ano em que pararam as escavações. As ruínas formam-se de um conjunto de edifícios de pedra que datam do período entre os 9 e os 8 mil anos a.C., mas cuja construção parece ter sido iniciada em 11 mil ou 12 mil a.C. Isto passa-se durante o Pré-Neolítico e certamente antes do começo da agricultura em qualquer ponto do globo. O Göbekli Tepe foi erguido por uma sociedade recolectora e de caçadores.

Há 12 mil anos atrás, esta região era mais rica e a abundância de recursos sustentava uma grande variedade de animais. Schmidt especula que as tribos se encontravam nestas terras durante parte do ano, vivendo perto umas das outras nas imediações, em tendas de peles-de-animais, perseguindo a caça local e construindo o complexo durante muitas décadas. A maior parte dos pilares de pedra encontrados têm entre 15 a 20 toneladas e era a necessária a força de pelo menos 500 pessoas para os talharem e transportarem até ao topo do monte.

Os edifícios são tipicamente megalíticos, ovais e redondos, com pilares em forma de T, que se podem ter suportado um telhado. Sabe-se da existência de sete destes edifícios, dos quais, apenas quatro foram escavados. Por todo o lado se descobrem formas gravadas em relevo: répteis, javalis e grous, cegonhas, raposas e gazelas, burros e ovelhas selvagens e grandes predadores.

As evidências sugerem que eram utilizados apenas para fins religiosos e cerimoniais. É provável que tenha tido uma grande importância no culto aos mortos. Era prática comum que os corpos fossem queimados ou deixados ao ar livre para serem comidos pelos animais. A alguns quilómetros, num sítio chamado Nevali Çori, foram encontradas construções de características semelhantes e do mesmo período, que, ao contrário das do Göbekli Tepe, parecem ter sido usadas para habitação. Nevali Çori está agora irremediavelmente debaixo das águas da barragem Ataturk, que bloqueia o Eufrates e é a maior da Turquia.

Por volta de 8 mil a.C. o Göbekli Tepe parece ter sido deliberadamente coberto com terra e abandonado. As razões não são conhecidas mas supõem-se que os recursos tenham deixado de suprir as necessidades da população. É provável que tenha sido a própria agricultura a ditar o fim do Göbekli Tepe. Era primitiva e pouco produtiva e não se conheciam a necessidade de rodar culturas e de fertilizar a terra para evitar a erosão dos solos. Especula-se que a agricultura tenha desflorestado a região de tal forma, que a disponibilidade de animais para caça tenha reduzido drasticamente.

Esta foi a região onde a agricultura e a domesticação de animais deram os primeiros passos. Os vestígios que aqui se podem encontrar provam a influência das crenças religiosas na transição entre uma vida nómada, de caçador e recolector, a uma vida sedentária, de agricultor e pastor. O lugar não resulta em fotografias bonitas ou atraentes mas toca em qualquer coisa muito primária dentro de nós. É fascinante. Indigna-nos que se tenham posto as investigações em stand-by. Não se paga bilhete e há três turcos barrigudos a martelar um novo painel de sinalização à entrada. Insallah. É tudo. Não fosse este o santuário arqueológico mais antigo do mundo…

Filed Under: Turismo Tagged With: arqueologia, Cultura, gobekli tepe, harran, monumentos, passeios, turquia, viagens à volta do mundo, viajar

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