Parece incrível a força que o futebol tem no país, sobretudo se comparado com outros desportos, que não serão «de massas». Mas, o apoio governativo parece tão discriminatório quanto a atenção que os desportos merecem nos jornais. Recentemente, Portugal conheceu grandes sucessos ao nível do hóquei em patins, da canoagem, do karaté e do ténis de mesa, só para citar alguns.
O destaque que tais feitos nos media foi tão efémero quanto os apoios do Estado. O projecto olímpico é um exemplo bem paradigmático. Bolsas de valor ridículo, quanto comparadas com outros países do mesmo nível, dependentes do sucesso dos atletas, quando não há o mínimo de condições de treino nas mais variadas modalidades, é o que se arranja.
Em Portugal, os desportos extra-futebol têm uma importância e protagonismo quase nulos
E depois exigem-se resultados, medalhas, qualificações excelentes nos respectivos desportos, pódios.
Mas as pessoas esquecem-se de que em Portugal não há uma aposta no desporto e na competição, não existem centros de alto rendimento, como em Espanha, nem subsídios e que a grande maioria dos atletas tem uma profissão e treina «fora de horas».
O que o zé povinho ignorante que exige resultados não sabe é que somos um país de atletas em part-time e em que tudo o que não é futebol não conta. O desporto em Portugal é futebol e ponto final. Essa é que é a verdade. Ou não fosse Portugal o único país europeu com três jornais desportivos e todos eles entre os mais vendidos.
A política desportiva actual vai conduzir muitos atletas a competir sob outras bandeiras
O futebol em Portugal, ao contrário dos outros desportos, chega a ser mais importante do que a política e a economia, o que é bem demonstrativo da força que este desporto tem no nosso país. Além disso, move milhões e alimenta rivalidades que chegam a ser doentias.
Era urgente uma alteração total neste estado de coisas, nomeadamente no que toca ao apoio aos desportos extra-futebol. Convinha repensar toda a política desportiva nacional e o rumo para onde as coisas estão a evoluir. Mas, à imagem do resto do país, parece que também aqui andamos ao sabor da maré, cortando a direito, sem saber para onde ir. E, qualquer dia, veremos os melhores desportistas nacionais a competir por outras bandeiras e a cantar hinos estrangeiros.
Se não se alterar o rumo das coisas, o desporto amador em Portugal tende mesmo a desaparecer
E depois vamos perguntar porquê e, na nossa ignorância, culpar os desportistas porque não são patriotas, como tanta gente faz com Paula Rego, Saramago e tantos outros, que, por falta de apoio nacional, tiveram de emprestar o seu talento a nações mais dignas dele. Para onde vais, país perdido? Acorda, antes que seja tarde!

Obrigado pela partilha Andre!
Totalmente de acordo e alinhado com a tua linha de pensamento meu amigo.
A grande questão passa mesmo pela pergunta.. como redirecionar o foco de tantos milhões?
Sabes, são eles, nós, todos nós, que fazemos do futebol o que é, e a importância e subsídios que recebe.
Tal como no consumo, onde podemos alterar o mercado se deixarmos de consumir algo, aqui também seria assim.
Mas aqui alimenta-se um ciclo vicioso, uma roda de hamster gigante..
Quanto mais pessoas assistem e defendem “até ao osso” os seus clubes, mais estádios e apoios são dados e isto continua sem fim à vista.
Se não se assistissem ou dessem tanta importância a este desporto em detrimento de outros, os apoios seriam distribuídos de forma mais justa e celebraríamos vitórias de outras modalidades com igual fulgor.