O desemprego – o fantasma do «Adamastor»


Nos dias que correm, arranjar emprego, parece-me ainda mais difícil do que dobrar o Cabo das Tormentas. As pessoas, esperam que ele se transforme no tão esperado Cabo da Boa Esperança.
O «Adamastor do Desemprego», amedronta, por isto ou aquilo. São tantas as exigências.
Vamos situar-nos há 20 anos atrás. O que mudou?
Nessa altura, era fácil depois de se terminar os estudos, ter logo emprego. As políticas de emprego, não têm sido as melhores. Todavia, não são só as más políticas, as culpadas.
O mercado laboral, tem vindo a sofrer alterações tremendas. O mercado é cada vez mais competitivo, também fruto do desenvolvimento rápido da tecnologia. A própria tecnologia, acaba por «roubar» postos de trabalho, uma vez que máquinas substituem o Homem.
Hodiernamente, as entidades empregadoras, encontram informações sobre os candidatos através da Internet : Facebook, Twiter, Linkedin, etc.
Nos dias que corre, dificilmente encontrámos trabalho à porta de casa. Antigamente, não havia portais de emprego, as pessoas encontravam os anúncios sobretudo no jornal. Hoje temos acesso fácil aos portais de emprego, poupando um pouco as pessoas das deslocações.
Os processos de selecção, são mais rápidos do que há 20 anos. Mas, mesmo com aspectos positivos, o Adamastor do desemprego continua a ser um flagelo. Hoje não há empregos para a vida.
A verdade é, que entendo o lado de quem recruta colaboradores, para o lado de quem precisa está bem pior. As entidades recrutadoras têm de impor limites, mas serão muitos deles justos para quem procura emprego?
As pessoas querem é trabalhar, querem oportunidades, quem não tem experiência ou pouca, quer ter mais. Quem tem, quer que se dê valor a isso. E assim, por diante.
Uma recrutadora da Hays: «O que faz falta aos portugueses para arranjar emprego? Competências». Mas será que falta a todos?
“É fundamental criar políticas para atrair e reter estes profissionais. E é necessária uma melhor comunicação entre as instituições de ensino e o mercado de trabalho, para corrigir esta escassez de competências”, disse a senhora. Faça-se o que se deve, não pode ser quem quer emprego a arcar com todas as «culpas».
Os portugueses querem vencer, o Adamastor do Desemprego!
Os portugueses querem vencer, o Adamastor do Desemprego, tal como antes o venceram, passando o Cabo das Tormentas a ser o Cabo da Boa Esperança. Então, se não tem emprego, um dia, o Adamastor e as tormentas serão vencidos. Nunca perca a Esperança. Ela vencerá o mais temível dos Adamastores e todos os Cabos das Tormentas!

«Assi contava; e cum medonho choro
«Súbito d´ante os olhos que se apartou.
Desfez-se a nuvem negra cum sonoro
Bramido muito longe o mar soou
Eu, levantando as mãos ao Santo Coro,
Dos Anjos, que tão longe guiou,
A Deus pediu que removesse os duros,
Casos que o Adamastor contou futuros.»
(Lusíadas, Luís de Camões, Canto IV, última estância – quando Vasco da Gama ergue os braços aos Céus pelo desaparecimento do Adamastor)

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