
Com a 11ª avaliação da troika, multiplicam-se as notícias de mais austeridade e de que o tão aclamado «milagre económico» pode não passar de um pequeno oásis, num imenso deserto que teima em não ter final à vista. Das várias soluções adivinhadas pelos media, uma parece reunir consenso: vai haver nova redução nos salários da função pública!
Após a queda do mito do «milagre económico», volta a promessa de cortes na função pública
À falta de soluções, mais do mesmo, quer isto dizer. Como não foram feitas reformas e a despesa pública continuou a aumentar, a solução mais fácil é cortar nos rendimentos de quem não pode «fugir ao fisco», como costuma dizer-se em linguagem corrente. Leia-se pensionistas e função pública.
Adivinha-se já que os cortes nas pensões vão passar de temporários a permanentes – resta saber o que dirá o Tribunal Constitucional – e que os funcionários públicos terão mais impostos e contribuições.
No fundo, a função pública – como aliás está já a acontecer com o Serviço Nacional de Saúde – será reduzida a uma espécie de serviços mínimos, no âmbito de uma «solução final» há muito cozinhada por determinadas facções da sociedade portuguesa.
Interessa a muita gente que a função pública fique reduzida aos serviços mínimos
O culpado é o do costume, o bode expiatório da função pública, e será esse a pagar a factura, mais uma vez. Com uma dívida pública a rondar os 130% do PIB, adivinham-se cortes por mais de 20 anos, até se chegar a um estado meramente arbitral, sem funções sociais, nem de crescimento.
A função pública, essa, irá sendo esvaziada de funções, cada vez menos atractiva em termos de vencimento, cada vez menos valorizada, remetida aos obrigatórios pontos de contacto com a Administração Central. Mas, até lá, vai sendo depauperada, «depenada» progressivamente até cair no limite, no abismo.
O verdadeiro problema só vai ser «desmascarado» quando já for tarde demais
Pode ser que, um dia, quando isto acontecer, muitos dos que bradavam impropérios contra a função pública se arrependam e vejam, finalmente, qual era o verdadeiro problema e o que estava por trás de toda esta encenação. E quando nada houver para os que nada têm, alguém se lembre de que os problemas não derivavam do estado social.
E quando esses «alguéns» começarem a pensar que não têm saúde porque não têm como a pagar, nem reforma, nem educação, nem nada, então talvez vejam, lá no fundo dos livros de história, qual era o verdadeiro problema.
E então, talvez seja tarde demais! E então, talvez haja quem queira voltar atrás, mas não haja como… Veremos.

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