Carl Gustav Jung, psicoterapeuta suíço, deixou para a sociedade humana uma herança intelectual fortíssima, criando uma série de conceitos psicológicos que ainda hoje são utilizados para criar novas teorias. Introduziu conceitos tangenciais que o aproximam do mundo místico, e consequentemente, aproximam o místico da ciência.
Nós, enquanto seres sociais, agimos de acordo com muitos dos seus conceitos. Alguns dos quais passo a definir sucintamente:
Jung e os tipos de carácter
Para definir os tipos de carácter Jung começa por analisar psicologicamente o indivíduo considerando que os fenómenos externos serão como que uma continuidade dos fenómenos internos – criando o conceito de sincronicidade ou coincidência significativa. O objectivo inerente à psique é visto como uma procura de equilíbrio entre as duas realidades para alcançar uma adequada individuação – sendo que esta representa uma verdadeira “viagem psicológica” que confronta o indivíduo com a sua totalidade e representação de opostos emergentes dentro de si.
Faz a distinção entre Eu e Self, considerando que cada um deles tem funções distintas: o Eu regula e o Self harmoniza a personalidade do indivíduo.
Para Jung, o inconsciente individual vai acumulando experiências que se agrupam em complexos (conjunto de emoções, desejos, lembranças referentes a um tema comum). Consoante o que está arquivado nestes complexos, o indivíduo pode transparecer dois tipos de atitudes psicológicas: a de introversão e extroversão que determinam as qualidades de entendimento do mundo interno e as reacções ao mundo externo.
É certo que ambas se podem manifestar em diferentes contextos, mas uma delas será predominante na personalidade. As pessoas extrovertidas são voltadas para o mundo externo e para o outro, as introvertidas concentram-se em si próprias. Quando uma das atitudes está presente a nível consciente no quotidiano do indivíduo a outra esconde-se no seu inconsciente.
Para definir melhor os tipos de carácter Jung categoriza as funções psicológicas em:
- Racionais (pensamento e sentimento) – O pensamento é o julgamento consciente de uma experiência e o sentimento é uma avaliação interna do que sente face a um estímulo
- Não racionais (sensação e intuição) – uma sensação é a reprodução de uma experiência através dos sentidos e uma intuição é um palpite interno dos caminhos que deveremos seguir que muitas vezes confronta todas as implicâncias racionais.
Jung e o Inconsciente colectivo
O inconsciente colectivo é visto por Jung como uma teia comum a todos os seres, onde é possível estabelecer uma comunicação simbólica.
Representa um esquema de reacções psíquicas comuns a toda a humanidade que são meramente representativos e carregados de simbologia. É uma zona não só intra-psíquica mas também inter-psíquica e é através dele que se podem manifestar as sincronicidades. Um exemplo comum poderá ser a associação do homem (energia masculina) à força de protecção do contexto familiar. Ou outras associações relacionadas com os arquétipos instaurados.
Jung e os Arquétipos
Jung define arquétipos como as experiências contidas no inconsciente colectivo, que levam a comportamentos padronizados originados pelas pulsões libidinais, onde se encontra a fonte energética da personalidade.
Estes comportamentos são comuns a toda a espécie.
As principais figuras arquetípicas são: a figura paterna, materna, a criança, o herói, o grupo, o velho sábio, a morte…
A simbologia dos sonhos e da arte pela visão de Jung
Observando a psique como um organismo capaz de criar símbolos, Jung considera que estes são criados para que conteúdo inconsciente possa relacionar-se adequadamente com o consciente, gerando um processo transformação psíquica semelhante ao processo alquímico. Isto porque conteúdos densos do inconsciente podem transformar-se em ouro quando o consciente os integra permitindo o processo evolutivo individual e colectivo.
Jung considerava a definição de um símbolo por palavras era algo redutor e, portanto, estes se revelariam através dos sonhos para manter as possibilidades de significados múltiplos; que poderiam depois ser transferidos para a criação artística.
O símbolo pretende ser a ponte entre os opostos que permanecem no interior de cada indivíduo, unindo-os num conceito clarificador que forma uma entidade psíquica própria de actuação individual – função transcendente do símbolo.
Jung inspira-nos a sermos independentes e a recriar os sonhos em vez de os tentarmos interpretar.


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