Nos últimos anos, ao caminharmos pelas ruas portuguesas, é comum depararmo-nos com esgotos a céu aberto, sem qualquer tampa ou proteção que impeça uma criança, um idoso ou qualquer outra pessoa que caminhe apressadamente de cair e se magoar. Mas mais do que uma queda, cair num esgoto ou numa sarjeta é um perigo para a saúde pública, que pode mesmo levar à morte, devido à inalação de gases altamente perigosos.
Nos concelhos de Almada, Sintra e Vila Franca de Xira desapareceram centenas de tampas de esgotos, grelhas de sarjetas e contadores de água, dando um prejuízo de milhares de euros às respetivas autarquias, que não tiveram verbas suficientes para resolver a situação.
Qual o destino destas tampas de esgotos?
Em qualquer ferro velho ou sucata é possível vender ferro por um valor que ronda os oito a dez cêntimos o quilo. Ao conseguir angariar inúmeras tampas, os ladrões acumulam dezenas de quilos de ferro e conseguem angariar dinheiro.
Como é de esperar, não é qualquer pessoa que chega à rua e começa a retirar as tampas dos esgotos e as grelhas das sarjetas, por isso, autarquias e SMAS (Serviço Municipalizado de Água e Saneamento) associam frequentemente estes roubos à toxicodependência.
Outro facto que pode explicar estes desaparecimentos é o vandalismo, que não para de aumentar nos grandes centros urbanos e Lisboa não foge à regra. Roubar e destruir, simplesmente pelo prazer de ver aquele local sujo e degradado, porque é engraçado ver uma pessoa a cair, porque dá vontade de ver as pessoas a deixarem de passar por esta ou aquela rua, devido ao mau cheiro. Isto continua a ser uma realidade bem presente nos nossos dias.
Quando os esgotos correm livremente pelas ruas da cidade
Existem cidades onde o sistema de esgotos está velho e deteriorado. Quando chove intensamente as tampas saltam e deixam o esgoto a descoberto, mas a situação torna-se uma calamidade pública, porque toda a porcaria, que deveria estar resguardada dos cidadãos, é lançada para a via pública e invade os terrenos agrícolas adjacentes. Quem circula nas ruas por esses dias convive com fezes, papel e pensos higiénicos.
Ao afetarem os terrenos agrícolas, as pessoas deixam de poder cultivar a terra e retirar tudo o que esta lhe pode oferecer, o que afeta em muito o seu orçamento mensal. Isto parece uma situação de terceiro mundo, mas acontece em Portugal e está mais perto do que imaginamos.
Perigos dos esgotos a céu aberto
Um esgoto a céu aberto por si só é perigoso para qualquer pessoa, devido ao cheiro tóxico e aos gases que liberta. Mas o perigo aumenta se uma criança, enquanto anda a brincar com os amiguinhos na rua, não se aperceber e cair na sarjeta ou esgoto. Neste caso a inalação de gases é direta e em mais de metade dos casos fatal.
No Outono as árvores deixam cair toda a sua folhagem e ficam a descoberto. Quando as sarjetas, junto dos passeios onde os piões circular, ficam cobertas de folhas é impossível apercebemo-nos da sua existência, no entanto elas estão lá, à espreita que alguém coloque um pé e se magoe.
A inexistência de tampas de esgotos já originou pequenos acidentes de automóvel, porque o condutor vai descansado e é apanhado de surpresa, não esperando que há sua frente surja um buraco sujo e malcheiroso. O mundo é o nosso habitat e mudar só depende de nós.

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