Um barco ruma para onde vai?
Zé era um rapaz igual a tantos outros, teve uma infância feliz rodeado com todos aqueles de quem gostava, tinha uns pais sempre dispostos a lutar por ele e pela sua felicidade, os seus amigos eram os seus irmãos, apesar de não serem muitos, contentava-se com os que tinha, poucos e bons, foi assim que desde pequeno lhe ensinaram.
Como todos os comuns mortais Zé tinha um sonho, o grande sonho, dos muitos que tinha, ser capitão de um navio, poder comandar, seguir destinos e realizar os outros, porém esse sonho não era fácil e para falar a verdade nunca se tinha esforçado para o atingir, no fundo era o que mais queria, mas estava habituado a ter tudo sem nunca lutar por nada.
-Eu tenho que ir a luta, eu sei que tenho que batalhar, para conseguir aquilo que quero, mas só de pensar que posso perder tudo, e deixar ir por mar abaixo o meu sonho, faz com que continue sentado no meu sofá a ouvir o rádio e aperceber-me de que todos os que ali estão realizaram os seus sonhos…
E assim se passou o tempo, em nada Zé conseguia arriscar, as suas medições de prós e contras nunca o levaram a grandes conclusões e como tal, não conseguia ir em frente, deixava a vida guiar-lhe o caminho em vez de ser ele o guia dela.
Já sem forças e ao ver cada vez mais longe o seu sonho decidiu que estava na hora da mudança, e que tal como os outros haveria de realizar os seus sonhos, não era menos que eles, por mais que lhe custasse, estava na hora de arriscar e assim o fez.
Todos sabemos que na vida temos que escolher caminhos, e que por vezes, nem sempre escolhemos o mais correto, tomando isso como de presságio para a próxima vez, não cair no mesmo erro, e não se deixar ir na tentação, mas quando decidimos algo nada nem ninguém nos consegue impedir, de levar a nossa ideia avante, assim aconteceu com Zé que não quis ouvir os pais que sempre o ajudaram, nem os amigos que sempre o apoiaram.
Não se sabe bem como, nem ele próprio o sabe explicar hoje, apenas diz que caiu numa rede, e foi pescado como tantos outros que ali se encontravam, prometeram a todos um sonho e no final apenas tinham minhocas.
– Recordo-me que foi num dia quente de verão, eu estava sentado a ver os barcos passarem, após muito esforço e alguns anos, tinha conseguido finalmente a permissão para sair para o alto mar, era dos dias mais felizes da minha vida, até que ela apareceu, nunca antes a tinha visto, e o seu rosto, estava coberto com um manto azul, assim como de todos aqueles que lhe seguiam os passos, prometeu realizar o meu sonho, e sem me aperceber vi-me aprisionado a uma mentira com formas humanas.
-Eu sei quem foi!
– Sabes?
– Sei também ela um dia me prometeu realizar os meus sonhos mas preferi não lhe dar ouvidos, eu sei que os conseguiria com o meu único esforço e com aqueles que desde sempre me amaram, simplesmente não quis embarcar com eles, preferi construir a minha jangada.
– Tão nova e tão sabedora.
-Este mundo está cheio de gente assim, não se pode confiar em ninguém, muito menos nela na ilusão, sabes avô foi ela que te falou um dia, pela voz de um outro alguém, e preferiste deixar-te levar como todos aqueles que a seguiram, apenas para poderem dizer que foram capazes e exibir-se para todos os olhos que por eles passam.
-E agora o que é que eu faço?
– Podes comandar a minha zangada se quiseres.
E assim Zé com a ajuda da sua neta Clarinda consegui realizar o seu sonho, mas não apenas aquele que no início ele disse ser o maior, pois neste momento a sua maior ambição concentrava-se mesmo à sua frente, numa cara redonda, de olhos azulados e com um sorriso delicioso, Clarinda a sua neta tinha realizado o sonho, superando todas as expectativas.
– Sabes minha neta, eu nunca tive medo arriscar, mas sim vergonha de falhar, e se tivesse dado ouvidos a quem sempre os teve para mim, teria conquistado o meu sonho, por isso minha linda nunca tenhas esse medo, porque pois mais que se perca, há sempre os teus amigos, a tua família, que vão fazer de tudo para te ajudar na escolha dos teus caminhos, mas não te esqueças o primeiro passo depende de ti!
Esta história trata-se apenas de uma mera ilusão, por bem achei que um final feliz seria o mais correto, não querendo dar lições de moral, mas tirando desta histórias as minhas, quem sabe se um dia não poderá ser esta a tua história?
Os caminhos que se seguem são sempre incertos…
E o teu vento, para que lado sopra? Ou apenas te deixas levar por ele?
O que somos nós sem AMIGOS?!
http://pt.wikipedia.org/wiki/Amizade

Muito bom é sempre bom arriscar , com os pés bem assentes na terra e amor no coração.Parabéns que lindo texto.
O que interessa é caminhar.
Parabéns.
Boas verdades.
Quem não arrisca não petisca.
Continua a escrever as tuas histórias, que retratam a realidade de muitos.
*
Gostei*