A mutabilidade do conceito de cidadania
O conceito de cidadania é um conceito intrínseco a todo o ambiente de natureza social e designa o homem civilizado. Sua complexidade oscila conforme a diversificação e complexidade das estruturas existentes.
Indissociável de uma certa componente mutável, o conceito de cidadania varia consoante a estrutura paradigmática, política, económica e cultural vigente em cada época e seus respectivos elementos constitutivos, a que a educação para a cidadania terá que levar em linha de conta.
O conceito de Cidadania instituído subsiste de forma matricial e transversal na estrutura, governa e percorre o sistema. Para aprender a viver nesse sistema, o indivíduo necessita de uma formação de valores associados aos valores da estrutura e desenvolvimento de competências cívicas e virtudes sociais, que devem incidir sob distintas dimensões, quer social, pessoal, espacial ou temporal, abarcando uma multidimensionalidade.

Cidadania – requisitos mínimos
Na educação para a cidadania actual, é imperativo o desenvolvimento da autonomia, capacidade de julgamento e espírito crítico. A necessidade de tais características fundamenta-se na origem do conceito de cidadania democrática, que se apresenta como consequência da evolução do individualismo e do seu desgaste, e que por sua vez impulsionou e acrescentou ainda o valor do bem-estar colectivo e da solidariedade, pressupostos intrínsecos à cidadania democrática. Obtemos, então, uma perfeita dicotomia entre autonomia-integração.
Educar para a cidadania não prescinde, em primeiro lugar da compreensão cognitiva dos diferentes âmbitos das estruturas, depois inflamar a componente afectiva, uma vez que essa enraizará no ser as convicções apresentadas e prestará um sentido, por último a vivência prática é crucial, para a eficácia do sistema.
Educar para a cidadania é então educar para “ser um cidadão” relaciona-se com a formação do ser (Silva, A. S.et al.2000), a formação das instituições, quer de forma cognitiva, institucional quer de forma afectiva, pois é aí que a cidadania adquire um sentido apaixonante, intrínseco e inseparável do individuo.
Quem somos ?
Conhecer as raízes pessoais e institucionais, reflectir nas fundamentações éticas contribui para a formação do conceito de cidadania e isso pode ser estimulado através de incentivos à emergência e construção de associações de estudantes nas escolas, nos quais os alunos assumem papéis centrais como agentes na construção da cidadania democrática, que na realidade é um exercício de envolvimento, construção e reflexão colectiva.
Traduz-se num processo que requer um desenvolvimento abrangente da consciência de como tornar-se parte útil e integrante do sistema (Pureza, J. M. [coord] 2001)
O civismo inscreve-se nos comportamentos, atitudes, acções, que reflectem o direccionamento da estrutura e conduzem ao bom funcionamento da mesma, através do respeito das normas e leis estabelecidas, e a educação para o civismo pode passar pelo incentivo à presença frequente nas sessões presenciais conjuntas dos projectos atrás referidos, visando o encontro, expressando preocupação, debatendo e contra argumentando as práticas efectuadas e almejando uma maior eficácia das mesmas, em ambiente colaborativo.
A educação para o civismo impõe uma racionalidade na intenção da acção, pressuposto que precede e reflecte uma construção já elaborada no domínio da educação para a cidadania e podemos mesmo designá-las como parceiros num mesmo propósito: o bem-estar colectivo da estrutura.
Sugestão: http://rotlefou.blogspot.pt/2011/01/civismo-parte-1.html

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