Não somos daqueles pessimistas profundos que olham para o computador e dizem : “É o diabo encarnado em máquina!”
Não partilhamos, claro destes exageros de velhos do Restelo, mas também não damos saltos e urras de cada vez que uma nova tecnologia surge.
Porque o que é facto é que o que salva o homem não é nada de exterior.
Podemos andar em aviões cada vez maia avançados e manter, como mantemos, em geral, em grupo, enquanto Humanidade, valores de brutos, de vulgares Australophithecus.
E se queremos alguém com autoridade sobre esta questão, ouçamos as palavras sábias de Albert Einstein: “A palavra não terá qualquer sentido enquanto existirem crianças infelizes.”
A metade Boa e a Menos Boa
Mas claro que a Tecnologia nos dá muito.
Principalmente aos que pertencem e não só à classe dos Preguiçosos Convictos.
Com a Tecnologia fazemos mais, mexemo-nos cada vez menos.
O Homem do futuro será alguém que, definitivamente, esqueceu os músculos, como se os tivesse guardado numa gaveta algures numa casa longíngua. É que por cada tecnologia que aparece é como se nos roubassem um movimento.
Quem é que ainda se levanta para mudar de canal de televisão?
Mas é evidente que a Tecnologia não fomenta só a preguiça corporal. Para já transforma os muitos que somos e o muito longe que vivemos uns dos outros em proximidade e possibilidade de contacto.
O que a Tecnologia dá então, é essa capacidade para ver e ouvir muito longe, mas há mais: passamos papéis de uma mão para a outra como se o estivéssemos a fazer por debaixo da porta do vizinho, quando afinal aqui o vizinho está a milhares de quilómetros de distância.
E podemos ainda, graças à tecnologia, trocar cartas de amor instantâneas, sem correr o risco de na altura da recepção dessa cheirosa missiva, os amores já se encontrarem desactualizados.
Até me atrevo a dizer que podiamos imaginar este texto publicitário: “adequado aos tempos vertiginosos e da vertiginosa rapidez de alguns amores contemporâneos , em contraste com a grande lentidão dos namoros clássicos, aí está o e-mail, o único meio de as suas palavras estarem actuais com o seu coração!”
O que quero transmitir é isto : é bom viver numa aldeia global e ainda melhor seria viver numa casa global, ou ainda melhor numa sala global, num T0 global. Agora isto só funciona se a família se dá bem. Ora vejam lá o que é viver numa casa onde os irmãos partem alegremente cadeiras na cabeça uns dos outros?
Portanto, e, em resumo o que se propõe aqui neste espaço, é simples: aproveitemos a fabulosa possibilidade de podermos usar a tecnologia mas, ao mesmo tempo, não nos esqueçamos de aperfeiçoar o coração, a alma e os ossos.
Não nos esqueçamos de os tornar igualmente desenvolvidos.
Porque só vale a pena viver numa aldeia global se os habitantes desse espaço forem igualmente desenvolvidos.
Se os habitantes da aldeia global forem decentes, com virtudes nobres, e actuais.
Como o sentido do progresso é imparável, só existem duas alternativas para o futuro: vivermos numa aldeia global, com crianças e adultos infelizes, ou vivermos numa aldeia global de pessoas decentes, solidárias e fraternas.
Tudo depende do coração!

Muito actual e bem escrito