
Há umas semanas li um artigo de opinião em que o autor proclamava uma cidade sem cães. Pessoalmente, preferia uma cidade sem lixo, sem trânsito e sem greves.
E uma cidade sem pedintes, um país sem imigrantes e um planeta sem o chamado “terceiro mundo“?
Exclusão…
O discurso da exclusão reveste-se de um punhado de cores por vezes de difícil identificação. É um discurso de fronteiras e de limites, de construção de muros e de hierarquização, movido por argumentos de não pertença e por um complexo de superioridade gritante.
“Vestir a pele” daqueles que são diferentes não é metamorfose para qualquer um. A selectividade, a padronização da normalidade e a segregação categorial representam nuances do complexo processo de lidar com a diferença.
Direitos humanos…

Fala-se muito de direitos humanos. Mas fala-se dos direitos humanos como uma política, uma ideologia sobre o mundo e sobre a vida. Os problemas de violação dos direitos humanos são esmiuçados nos seus elementos legislativos, enquanto a educação para a tolerância assume um carácter tecnicista, promulgando artigos de leis e alíneas pró e contra.
Os direitos humanos não são princípios abstractos. Na sua essência, englobam actos, fenómenos, processos e interacções sociais, atitudes, imagens, percepções e representações. Os direitos humanos andam de mãos dadas com a tolerância, com a democracia, com a diversidade, com a paz e com a interculturalidade, contribuindo de forma massiva para uma cidadania activa, bem informada e responsável.
Tolerância…
A tolerância envolve o respeito, a aceitação e a valorização de todas as formas de expressão do ser humano. A tolerância é encorajada pelo conhecimento, pela comunicação e pela liberdade de pensamento. A tolerância não é só uma obrigação de ordem ética, é igualmente uma necessidade política e jurídica.
A tolerância pressupõe a valorização da autonomia e da liberdade de escolha. Uma sociedade tolerante tende para a criatividade, para a inovação, para a confiança e para a cooperação. Numa sociedade tolerante existe menos dogmatismo e fanatismo, menos violência e discriminação.
Praticar a tolerância não significa aceitar a injustiça social, nem renunciar aos valores e convicções individuais. A tolerância não é sinónimo de condescendência nem de indulgência. É apenas e só reconhecer e respeitar o direito a ser.
A tolerância não se aprende nos livros e muito menos através da espada. Nasce quando deixas de conceber o mundo como “eu e os outros”.

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