
Ao pedido de adesão da Guiné Equatorial à CPLP vai ter uma resposta na Cimeira de Dili, no Verão de 2014. O país africano é um estado com estatuto de observador associado da comunidade, tendo apresentado, em 2010, um pedido de adesão como membro de pleno direito.
Nas duas últimas cimeiras da CPLP, Portugal vetou a entrada do país de Teodoro Obiang na organização. Angola tem pressionado Lisboa para aceitar a adesão plena, mas a posição actual é ambígua, mesmo dentro do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Não se pode esquecer que o Presidente da República, Cavaco Silva, tem uma palavra a dizer o sobre o assunto.
Um aspecto recente, que pode ter uma ligação à adesão da Guiné Equatorial à CPLP, é a entrada do país da costa oriental africana no capital do Banif, através de uma sociedade estatal.
Anteriormente, Luís Amado, antigo ministro dos negócios estrangeiros dos governos de José Sócrates, tinha sido escolhido para ocupar o cargo de presidente do banco português; banco do qual o Estado português é accionista.
Quem tiver interesse pela questão da adesão da Guiné Equatorial à CPLP, em particular, e por questões de política externa portuguesa, em geral, pode seguir este blogue. Tem a vantagem de dar uma visão diferente dos temas e de ir buscar temas esquecidos mas que deviam estar presentes na política externa portuguesa, como o autor do blogue vai lembrando.
A adesão da Guiné Equatorial à CPLP e o futuro da comunidade
As línguas oficiais do país africano são o castelhano e o francês. Talvez a CPLP deva alterar a designação da comunidade de forma a abranger um país de língua diferente do português. Não será necessário, porque a Guiné Equatorial comprometeu-se a adicionar o português como língua oficial do país.
A adesão da Guiné Equatorial à CPLP tem um problema para alguns blogueiros como este, esquecendo que Angola também não devia participar na comunidade. Para vetar a entrada da nação africana na comunidade, Angola devia ser convidada a abandonar a organização. Caso contrário seria descriminatório para com as autoridades de Malabo.
O actual estado da Guiné Equatorial tem origens na exploração portuguesa da costa ocidental africana. Com o pedido de adesão da nação africana, percebe-se que o país não se esqueceu da sua História. Parte dos actuais territórios da nação africana eram portugueses e passaram para a soberania espanhola com o Tratado do Pardo, assinado em 1778. A adesão da Guiné Equatorial à CPLP mostra que o estado africano não esqueceu as suas origens históricas.
O que é a cplp e quais os seus objectivos
Existem oito estados-membros na organização – Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau – todos de língua oficial portuguesa, e três estados com estatuto de observador associado – a Guiné Equatorial, o Senegal e a República da Ilha Maurícia.
A existência de mais observadores associados além da Guiné Equatorial, mostra que a organização tem capacidade de atracção de estados que não falam português, mas que se revêem nos princípios orientadores da comunidade. Após a aceitação da adesão da Guiné Equatorial à CPLP, quem sabe se num futuro próximo não surgiram outros pedidos.

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