Civismo e Cidadania
Este é terceiro texto que redijo sobre este tema para esta plataforma digital. Como se trata de um número ímpar, voltamos à teoria e iremos avaliar Educação, Educação Cívica e Civismo. No texto 1 contextualizamos a nossa abordagem sobre o tema de Educação Cívica que reflecte e caracterizará todo o nosso pensamento central ao longo dos textos. A partir do texto ímpar número três iniciaremos uma explanação para diferentes vias, aprofundando cada uma delas. Civismo e Cidadania são expressões que emergem em concomitância com a edificação e legitimação da vida em sociedade, contudo, não são conceitos imutáveis e sofrem alterações consoante o tipo de estrutura social.
O Civismo encontra-se muito associado aos comportamentos que permitem uma integração numa determinada estrutura social. Mesmo que essa estrutura social detenha princípios com os quais não concordamos e mesmo que essa sociedade promulgue injustiças e actos poucos dignos, é através do civismo que encontramos uma porta, uma oportunidade para nos sentirmos aceites entre os nossos. Contudo, será possível mudar uma sociedade, revolucionar um sistema social, mantendo um respeito unilateral pelas regras cívicas que nos inculcam?
Cidadania assume-se como um termo mais democrático, mais amplo. Associa-se ao interesse pelo bem comum. Contudo, actualmente o termo Cidadania colide muitas vezes com o culto da individualidade que caracteriza a sociedade da actualidade. Será que todos os indivíduos, todos os adolescentes em crescimento, entendem que Cidadania implica “cuidarmos do que é de todos” e que isso implica que por vezes soframos algumas injustiças porque nem sempre o bem comum coincide com o bem-estar individual. Ou, pelo contrário, cada adolescente pensa que a estrutura social está contra ele e como tal entra numa guerra interna que o conduz à rebeldia e à não-integração que no início parece satisfazer o ego mas com o decorrer do tempo irá gerar sensações de frustração, desprotecção e abandono. É isto que estão a ensinar às nossas crianças? Não… não é isto, caso contrário, teríamos neste momento uma massa humana a trabalhar para fazer renascer o nosso tecido social.
Era uma vez uma bela Cidadania… Nesta bela Cidadania, há lugar a direitos e responsabilidades e todos têm que encontrar uma função, um papel a cumprir. É isso que está a acontecer? Qual a função dos milhares de desempregados, qual a função dos imensos indivíduos com mais de 60 anos? Teórica ou prática, não há cidadania quando não há efectivação da preocupação com a função com que cada um assume. Até agora, pagávamos essa preocupação social com reformas e outras verbas financeiras, mas esses fundos estão a terminar, por isso, teremos que voltar à essência da cidadania e descobrir uma função para cada pessoa que existe na nossa sociedade. Isso só poderá acontecer com lideranças locais cada vez mais envolvidas com as pessoas sob o ponto de vista local e se a comunicação local-central se tornar mais veloz e eficaz. E para isso, não são necessários recursos financeiros, apenas empenho e reconfigurar a estrutura organizacional.
A morte da Cidadania! Apesar de tudo, Cidadania consiste numa palavra, num conceito, numa mera teoria. A sua efectivação prática apenas se encontra acessível ao ser humano letrado. Materializar uma prática quotidiana activa cívica na nossa complexa sociedade implica um grau razoável de evolução a vários níveis. É necessário que o individuo seja capaz de aceder, ler, entender, interpretar, formular opinião e aceder a espaços de intervenção pública porque só isso efectiva a Cidadania. Hoje, ouvimos frequentemente expressões como Cidadania Activa, porquê será? Com certeza, será porque existe também uma Cidadania passiva. Mas… uma Cidadania passiva é sinónimo de uma Cidadania morta e se está morta é porque não existe… Quando renasce a Cidadania? Haverá vida para além desta morte? Sugestão: http://e-livros.clube-de-leituras.pt/elivro.php?id=cidadaniadeaaz

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