Amor suspenso num dos Hotéis de Portugal!
Tinham passado mais de 10 anos, desde que Francisca se separara daquele que a deixara sem chão, sem nada… Ricardo fora viver para Istambul e nunca mais regressara a Portugal. Voltava agora, após 10 longos e dolorosos anos de ausência, e parece que ele estava hospedado num dos Hotéis de Portugal. Ela só precisava de saber em qual, e estava disposta a tudo para o rever. Primeiro passou pela MAISTURISMO e de seguida pegou num mapa, pronta a recuperar um amor suspenso.
A expectativa de um reencontro deixara-a meio atordoada, meio incrédula. Chegou a um dos Hotéis do Algarve já noite dentro, com a certeza de que tinha feito a escolha certa. Começar pelo Sul do país a percorrer os Hotéis de Portugal à procura de Ricardo. Uma verdadeira loucura que iniciara há já uma semana, mas que ainda não tinha dado frutos.
Francisca tirou da mala o mapa com os Hotéis de Portugal e marcou todos os que outrora juntos visitaram e que deixaram marcas de um passado que nunca se perdera, pelo menos para ela.
Uma cidade, uma ilusão…
Depois de já ter percorrido vários hotéis, a esperança de o encontrar pelo Algarve estava a dissipar-se. Francisca tinha agora como alvo usufruir do glamour do Hotel em Lisboa, uma referência ímpar dos Hotéis de Portugal e com uma posição privilegiada para se usufruir do melhor que a capital tinha para oferecer, nomeadamente a Baixa de Lisboa, o Chiado, o Bairro Alto e o Castelo de São Jorge. Depois daria um saltinho até ao Hotel Altis (um Conference & Business Hotel) na Avenida da Liberdade, na esperança de o encontrar nalgum congresso ou reunião de negócios. Caso a passagem por Lisboa significasse uma ilusão, ela estava decidida a não desistir e a próxima paragem seria iria a Praia de Porto Novo (Maceira – Torres Vedras), onde poderia matar saudades do mar e, quem sabe, reencontrá-lo no Hotel Golf Mar.
Os dias iam passando e Francisca percorria estradas e avenidas, vilas e cidades, planície e serra, em busca… Em cada canto, deixava-se levar pela sedução das paisagens, e colhia a beleza, a exuberância e o sossego proporcionados pelos magníficos Hotéis de Portugal.
Apesar das excelentes estadias preencherem parte da sua alma com boas recordações, a outra metade estava vazia, meio adormecida e incompleta, como uma fonte seca à espera de renascer.
Mais uma vez, o destino não deixou que os dois se cruzassem e Francisca teve de procurar novos caminhos.
Peregrinação pela Invicta
Chegou ao Porto já de manhãzinha e procurou o Hotel Premium, bem no centro da cidade, de seguida seguiria para o Hotel Porto e, se nada conseguisse, estava disposta a visitar mais uns quantos Hotéis da Invicta. Não ia desistir, era preciso acreditar! Necessitava de despertar daquele sonho ou pesadelo, nem sabia bem, a que estava devotada há demasiado tempo. E como queria manter em alerta todas as suas funções vitais, todos os sentidos, necessitava urgentemente de um bom banho, de uma boa cama e de saborear um fresco e divinal pequeno-almoço num destes maravilhosos Hotéis de Portugal. E assim fez. Depois, foi procurá-lo, voraz e desesperadamente!
Estava a ficar impaciente e desanimada! A breve passagem pelo Porto, trouxe-lhe à memória pensamentos insensíveis e indecorosos. Foi ali que se viram pela última vez, foi ali que fizeram juras eternas, ali, num daqueles Hotéis de Portugal.
De mãos vazias e coração dorido, Francisca principiava a perder as forças que a levaram a iniciar tão penosa peregrinação, em busca de um reencontro mascarado de logro. Já não sabia mais o que fazer! Com que forças e verdades, percorreria mais caminho?
Olhou o horizonte, em direcção à zona ribeirinha e suspirou: “Ah meu amor de todos os dias, onde estás?”
De mãos dadas com o passado!
Pegou pela última vez naquele mapa e decidiu: “Hotel do Gerês e Arcos de Valdevez e pronto, acabou-se! Não posso mais, não corro mais…” E assim fez, sem obter sucesso.
Foi ali, no meio daquela paisagem nortenha que pousou a cabeça e descansou do mundo, com a frustração como companheira e coração farto de vazios. As lágrimas caiam-lhe…
Já dentro do carro, de volta ao Sul, lembrou-se de Castro Laboreiro! Tinha de voltar atrás: “Ai que loucura, meu Deus, estou a ficar louca sim, mas tenho de o fazer! Caso contrário, nunca me irei perdoar!” Fez inversão de marcha a toda a velocidade e conduziu sem freio até ao limite das suas forças! Chegou finalmente àquela vila situada na Serra da Peneda, onde o vento trazia certezas que até ali pareciam adormecidas!
Entrou no Hotel Castrum Villae e dirigiu-se ao recepcionista: “Gostaria de falar com Ricardo Moreira, por favor!” A resposta acertou-lhe como uma lança: “Esse senhor está hospedado aqui, mas de momento não se encontra.”
Saiu de rompante e correu para o Castelo. Ricardo estava de costas e voltou-se quando pressentiu a presença de Francisca. Tinha uma imagem forte e aparentava ter a idade que o tempo lhe roubara. De repente, o amor ficou suspenso. Na urgência do instante, ela quis beijá-lo e abraçá-lo, tal e qual dois adolescentes à procura de uma segunda oportunidade. Queria dizer-lhe: “Tive saudades tuas”, mas a razão não a deixou.
Ela procurou o olhar dele, mas ele desviou o seu e afastou-se ligeiramente.
“Percorri quase todos os Hotéis de Portugal na esperança de te reencontrar. Disseste que um dia isso aconteceria! Lembras-te? Passaram 10 anos, cá estamos!”, relembrou-lhe, com a voz embargada e o coração prestes a explodir.
“Sim, lembro… Mas é tarde, lamento…”, respondeu Ricardo. Ele pegou na mão dela e caminharam: “Anda, tenho muito para te contar…”. Os primeiros minutos gastaram-nos num silêncio duro e castrador.


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