
Não falta quem, por tudo e por nada, culpe os funcionários públicos de todos os males que vão no país. Ou é porque não trabalham, ou porque ganham muito, ou porque são muitos… ou porque existem!! O que a maioria não sabe é que Portugal até é dos países em que a percentagem de funcionários públicos per capita é menor. E onde, em média, os funcionários públicos ganham menos.
Portugal é dos países da UE com menos funcionários públicos per capita
Será que o problema é termos uma máquina do Estado demasiado pesada e onde as pessoas ganham mais? Porventura, interessará a muita gente passar essa imagem. Mas, será mesmo esse o problema? Portugal tem serviços públicos a mais? Ou melhores do que os dos outros países europeus? É pouco provável. Na verdade, esta é uma matéria sensível e que levanta muita polémica, até porque a imagem dos funcionários públicos está hoje extremamente depauperada, fruto de anos e anos de propaganda contra esta faixa da sociedade. Mas, na verdade – e eu conheço alguns – a maioria dos funcionários públicos trabalha, tem brio profissional e bastante gosto no que faz.
A maior parte dos funcionários públicos ganha mal, tem brio profissional e gosta do que faz
Nem todos os funcionários públicos são profissionais enjoadas atrás de «guichets». Esse é um cliché que muitos entranharam, mas que não corresponde, de todo, à verdade. A questão financeira é outra falta questão. Isto porque a grande maioria dos funcionários públicos ganha mal, leva eternidades a subir na carreira e mesmo que tenha imenso mérito e dedicação, não pode ser aumentada como consequência. Há um problema na função pública, isso é inegável. Mas esse problema não está nos milhares de funcionários públicos técnicos que ganham mil euros ou menos. O problema, o grande problema da administração pública está nas milhares de chefias de nomeação política, que auferem bem mais do que o Presidente da República. Até porque, se reportarmos às empresas públicas, a maioria delas tem estatuto de excepção ou de especialidade e não tem vencimentos tabelados.
O grande problema financeiro da função pública é essencialmente político
O grande problema da função pública não é instrumental, é essencialmente político e deriva dos constantes «jobs for the boys» que vão e vêem, de há 30 anos a esta parte. Numa hipocrisia extrema, os Governos que mais penalizam os funcionários públicos são depois aqueles que, fruto das nomeações que fazem, mais agravam o problema dos vencimentos na função pública. E a opinião pública, inundada de propaganda fácil de digerir, ataca os funcionários públicos, que já de si são a parte mais fraca, aquela que nunca pode fugir aos impostos. E essa é que é a verdade!

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