O amor à cultura pop sempre esteve presente na música e nas atuações de Lady Gaga. Há cinco anos lançava o primeiro disco e explicava ao público – um mercado concentrado em dispositivos tecnológicos, nas redes sociais e a valorizar intensamente o poder da imagem – o conceito de The Fame como uma forma de qualquer ser humano sentir-se famoso e uma declaração de amor à cultura popular. Chega-nos às mãos ou, melhor dizendo, aos nossos dispositivos móveis o novo álbum, de nome ARTPOP, com o selo da Universal para continuar a celebrar a paixão que a levou até aos primeiros lugares de vendas e a consagrou como uma das cantoras mais conhecida da música pop.
Começando pelo nome do disco, ARTPOP, a relembrar o trocadilho com o movimento artístico Pop Art. Inspirada no movimento de arte em que os objetos comuns – a banda desenhada, garrafas de Coca-Cola, celebridades – eram transformados em obras de arte para serem apreciadas pelas massas, Lady Gaga decidiu juntar a música pop ao conceito de arte e redefiniu a sua imagem como artista, sem adereços comuns à grande maioria da população a oferecerem-lhe brilho e a colocarem-na no pedestal. O Nascimento de Vénus de Botticelli, representado na capa, simboliza o nascimento da artista sem a escuridão e a pressão do disco anterior. Ao renascer como uma nova imagem, Lady Gaga canta no novo álbum sobre fama, s exo, o poder feminino e erva – temas tão comuns na cultura popular.

ARTPOP: a viagem eletrónica numa tentativa de casar a arte e a música pop
ARTPOP é uma viagem eletrónica, a querer experimentar um leque de sonoridades diferentes ao longo de 60 minutos que assentam eficazmente. Do What U Want oferece uma onda de R&B, MANiCURE destila uma pequena e leve quantidade de rock, com Venus consegue-se percecionar a sonoridade disco um tanto ou quanto invulgar do mercado de música pop presente nas rádios e é explorado um novo território de hip hop com Jewels N” Drugs. Existe uma necessidade em experimentar todos os géneros musicais num só disco, caraterística já presente em Born This Way, mas desta vez com os tons eletrónicos a serem utilizados como os ingredientes principais e fundamentais.
Embarcar na filosofia do novo projeto de Lady Gaga, tal como a própria gosta de chamar, pode tornar-se arriscado para quem espera um álbum equilibrado e com paragens calmas ou para quem coloca as expectativas muito altas. Gaga consegue oferecer boas imagens ao público que a admira: desta vez contou com a colaboração do escultor Jeff Koons para elaborar a obra de arte presente na capa do disco, com os fotógrafos Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin para o teledisco de Applause – o primeiro single do ARTPOP – e para algumas sessões fotográficas e com a disciplina e sabedoria artística de Marina Abramovic.
Mas, com uma força tão poderosa em questões de estética, o som acaba por não estar à altura do que é proposto em toda a promoção de arte feita pela cantora. O conteúdo de arte é um pouco esquecido ao longo de todo o álbum e quando experimentado não têm bom resultado. A primeira música, Aura, produzida por Zedd e os Infected Mushroom, arrisca num novo território tal como Swine, produzida pelo DJ White Shadow, mas não trazem bons resultados a Lady Gaga. Onde está a arte em produções estupidamente eletrónicas em que nem existe espaço para a voz de Gaga ou para uma letra bem construída? Quando a cantora regressa às produções e letras puramente dentro do universo da pop, como a G.U.Y, Donatella ou mesmo a Fashion! – inspirada na música dos anos 80, um tanto ou quanto colada à Madonna que surgiu nas rádios americanas – é o melhor momento de ARTPOP.

Os melhores momentos no ARTPOP: a balada como ponto de êxtase
Mas os melhores momentos no álbum, imparável na sua sonoridade eletrónica, continuam ao escutar-se Do What U Want, que conta com a participação do rapper R. Kelly (e podes ver a atuação nos AMA 2013 aqui), ou com a surpreendente Jewels N” Drugs ou em Mary Jane Holland, um furacão de EDM que resulta brilhantemente com a voz de Lady Gaga. São algumas sonoridades de R&B e hip hop, para não falar da faixa-título que pode ser encarada como um hino de todo o disco antes de se chegar às últimas músicas e as melhores de todo o projeto: cantada por uma voz robótica, a intenção de juntar a pop à arte é mais uma vez realçada.
Ao chegar-se a Dope e Gypsy, depois da viagem recheada de sons eletrónicos e, por vezes demais numa única música apenas, constata-se que são os dois momentos mais altos do disco. Sentar Lady Gaga à frente de um piano é a melhor forma de a mostrar como uma verdadeira artista e em Gypsy, apesar de ser um parente muito afastado da The Edge of Glory, há uma boa conjugação da voz de Gaga e dos tons eletrónicos. Ao longo de todo o ARTPOP verifica-se esta ausência de equilíbrio entre a chamada arte – a meu ver, a voz poderosa da cantora, e a pop. A conjugação perfeita está verificada única e brilhantemente na penúltima música do álbum.
ARTPOP é um bom disco. Nunca vai chegar aos pés do The Fame ou The Fame Monster, os primeiros discos da cantora, mas consegue ultrapassar o Born This Way. Seja pela qualidade das músicas, pela cor das imagens que são oferecidas ou pela tentativa de conjugar arte com o universo da pop – disponível para qualquer ser humano. A aplicação ARTPOP, para acompanhar o álbum, encontra-se disponível nos sistemas operativos iOS e Android. Até ao momento, o álbum de Lady Gaga é número 1 em 82 países, tais como os Estados Unidos, Reino Unido e Portugal.

A escultura presente na capa do disco é da autoria de Jeff Koons e as duas imagens promocionais foram tiradas pelos fotógrafos Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin.

Gostei do artigo, parabéns! Mas acho que devias fundamentar alguns pontos e projetar uma explicação. Em alguns momentos senti que o artigo estava incompleto.