Viagens exóticas em Portugal?
Sempre que falamos em viagens exóticas, pensamos em algum lugar no estrangeiro distante, mas ocorreu-me que por definição Portugal será tão exótico para um Chinês quanto a China será para nós. Tão depressa o pensava, e tão depressa que dependendo do tamanho do nosso universo pessoal, até o outro lado da cidade pode ser exótico, e não haja dúvida de que há por cá tesouros incontáveis que tornam viagens exóticas em Portugal uma realidade.
Quando viajamos para o estrangeiro gostamos de nos embrenhar por uns dias nas culturas visitadas, mas em Portugal podemos mergulhar na história sem despirmos jamais a nossa Portugalidade. E temos mesmo locais extraordinários, como o Palácio da Pena e a maravilhosa Sintra, da mística, da aura mágica, a Sintra do nevoeiro eterno.
Cascata da Fraga da Pena, um tesouro nacional.
Fraga da Pena é o nome de uma cascata em Arganil, na Serra do Açor, uma região que tem uma magia muito própria com as suas icónicas aldeias de Xisto nas quais se destaca a freguesia de Piódão, marco milenar da colonização deste belo país por diversos povos. Quando Lusitanos e Romanos por ali caminharam, não os poderíamos chamar de Portugueses, ainda que pisassem o mesmo solo que hoje amamos.
Os Romanos chegaram e foram-se, e as paredes de xisto permaneceram, ligando Portugal ao passado e trazendo-o para o presente. Entre as encostas verdejantes e as estradas serpenteantes, Piódão recebe-nos com uma gastronomia que será tão exótica para nós citadinos, quanto a culinária de qualquer país além-Mediterrâneo.
São a chanfana, a sopa serrana, as migas de bacalhau, os arrojados maranhos que rivalizam com o mais famoso Haggis. Enfim, paladares fortes para uma terra forte como a pedra, e um carácter indelével, a mostrar que viagens exóticas são também viagens dos sentidos.
É ali em Arganil que se revela a cascata da Fraga da Pena, muito distante das famosas do Iguaçu ou Niagara, mas não menos bela: não é exibicionista nem gigante, mas pequena, secreta e intimista, como um segredo pequeno mas pleno de importância que aguarda sentidos atentos para o descobrirem.
A vegetação agarra a pedra como um manto digno de uma raínha enquanto as águas alvas se precipitam em direcção à translúcida lagoa rodeada de um tesouro de verdes vivos que encantam e conquistam os olhos. Apesar do fresco da região, apetece mergulhar, sentir a água. Numa outra altura talvez?
Aldeias de xisto: novo significado para viagens exóticas?
A Rede das Aldeias de Xisto passa por ali e pede-nos uma visita demorada com uma máquina fotográfica pronta para capturar uma beleza à qual as memórias não farão justiça, nem as palavras poderão expressar convenientemente.
As viagens exóticas fazem-se disto, desta transformação de nós, impulsionada pelo que nos rodeia, e ali respira-se a memória dos nossos antepassados, na pedra, argila e argamassa que constituem os pilares deste país.
A estrada chama-nos, infelizmente. É hora de voltar à cidade, onde todos continuaremos a procurar o exótico em fronteiras distantes e línguas ininteligíveis, quando o grandioso da natureza está mesmo ali ao lado.
Este país pequeno parece ter em si toda a beleza do mundo. Não é gigante, não é famosa, mas é certamente exótica e quando a descobrimos, quase custa acreditar que sempre lá esteve.

