Nunca pensei assistir a um momento tão trágico e dramático, como aquele que se passou numa das mais belas praias da Portugal. Mergulhadores e heróis passaram a ser o mesmo para mim, a partir daquele dia. O dia estava cinzento e umas nuvens ameaçadoras intimidavam o ser mais destemido. Ainda assim, saí da faculdade com a Sofia, a Diana e a Patrícia decididas a aproveitar o resto da tarde. Naquela tarde de Inverno, harmonia e paz eram sinónimo de… praia! «Boa! Que ideias iluminadas que vocês têm!», gritou a Patrícia numa euforia contagiante. A Costa da Caparica estava praticamente deserta. Ao longe, conseguíamos avistar umas figuras meio indistintas, que se movimentavam vagarosamente em direção ao mar – eram mergulhadores. Concentrámos-nos no nosso propósito: fechar os olhos, ouvir o rebentar das ondas e aproveitar ao máximo o sentido olfactivo. Soberbo!
O «Adamastor» e o terror!
De repente, ouvimos um carro a chiar e uma travagem brusca arremessou um veículo cinza claro para o estacionamento junto à costa. Quatro jovens saíram do carro, a rir de forma estridente, e correram até ao mar. No sentido oposto, os mergulhadores arrumavam os seus aparelhos e preparavam-se apara abandonar o local. Estavam completamente artilhados até às orelhas! Era possível identificar coletes de mergulho, barbatanas, mochilas e sacos. No mesmo instante, uma onda gigante, qual «Adamastor» irado, levantou-se com tal pujança em direcção à praia que nos roubou uns gritos de pânico. Embora estivéssemos numa zona segura, não conseguimos evitar e quase instintivamente corremos para o estacionamento. Já longe do mar, rimos com toda aquela situação e sentámos-nos no paredão de cimento a olhar aquele espectáculo!
Os anjos têm nome: mergulhadores profissionais
De repente, ficámos em transe com os gritos histéricos da Diana: «Eles desapareceram! Eles desapareceram!!! Ai meu Deus!». Os jovens que estavam à beira-mar tinham subitamente desaparecido, como se de uma magia se tratasse! Levantámo-nos e avistámos dois pontos escuros, duas cabeças que em segundos submergiram para não mais as vermos. Tinham as vidas por um fio! Desesperadas, corremos no sentido oposto para alcançarmos os mergulhadores que mal se avistavam na praia. As lágrimas corriam pela face e o terror apoderou-se de nós! Aqueles mergulhadores eram a nossa única esperança! Quando os alcançámos, mal conseguíamos falar. Ainda assim, eles perceberam de imediato o que se estava a passar e juntamente com o seu equipamento de mergulho prontificaram-se a socorrer. Quando se lançaram ao mar sem hesitação, verificámos que eram mergulhadores profissionais, altamente qualificados! Possuíam um conjunto de pequenos aparelhos e equipamentos técnicos e demonstraram possuir conhecimento de normas de segurança para a prática de atividades subaquáticas. Numa das mochilas tinham a indicação “Escola de mergulho Casco Antiguo” da área da grande Lisboa. Pensei de imediato: «Mergulhadores profissionais e responsáveis por uma escola de mergulho! Que sorte!» Sorte e muito profissionalismo foram ingredientes fundamentais para salvar aqueles jovens. Nunca mais poderei esquecer aquele momento! Deixaram-me um cartão com os contactos: João Esteves – 96 679 88 76 ou escola@cascoantiguo.pt, João Lima – 96 154 39 59 ou lima@cascoantiguo.com, João Dias – 96 154 39 58 ou dias@cascoantiguo.com
