
Os carros e as altas velocidades sempre exerceram um grande fascínio. Sobretudo entre os homens. Se bem que as mulheres, muitas vezes, também não resistam à mistura destes dois ingredientes. Para os jovens que agora estão na casa dos vinte anos será pouco provável encontrar um que não tenha visto pelo menos um filme da Velocidade Furiosa. Esta longa saga tornou-se um ícone cinematográfico desta geração e pode-se dizer que deu maior voz e alma à cultura do tuning. Os actores tornaram-se ídolos de uma juventude sedenta de adrenalina a altas velocidades.
A saga ganhava novo ânimo e preparava-se para lançar a sua sétima entrega, quando no dia 30 de Novembro, Paul Walker, o famoso polícia da história morre num acidente de viação. É uma cruel ironia que o protagonista de uma série de acção com corridas e perseguições a altas velocidades acabe por morrer, precisamente, num acidente de carro provocado por velocidade excessiva. Ainda com o filme por terminar, os fãs de Velocidade Furiosa viam partir não só uma das personagens mais carismáticas dos últimos tempos, como também um ídolo.
É inegável que a cultura do tuning já existia em Portugal, mas é bastante claro o facto de que esta saga de filmes acompanhou o crescimento duma geração que se deixou seduzir pelo ambiente em torno dos carros “kitados” e da adrenalina da velocidade. De facto, desde então parece ter crescido o número de “afiliados” a esta cultura e, talvez por consequência, a aceitação por parte da sociedade em relação a esta actividade.
O tuning é muitas vezes associado a uma imagem marginal, um pouco fora da lei e conotada como uma actividade perigosa. Na verdade, a maioria das pessoas não sabe nem conhece a verdadeira essência do espírito por trás do tuning e como tal avalia pela bitola mais fácil, ou seja pelo que vê.
E muitas vezes aquilo que vê são carros “descaracterizados” e espampanantes a acelerarem nas estradas a altas velocidades pondo em perigo a segurança dos outros. Esta é uma imagem fácil de se obter, mas é importante compreender que, tal como em tudo, nem todos são dignos representantes de uma filosofia ou forma de estar.
O tuning na sua essência mais pura caracteriza-se pela personalização visual e técnica do carro à imagem do seu dono, como se o carro fosse a extensão de quem o conduz. O objectivo final é fazer com que cada carro seja único. Com a personalização do carro surge o desejo de mostrar ao mundo o resultado final. E é aí que podem começar os problemas. No entanto, tem sido feito um grande esforço no sentido de criar espaços para que os orgulhosos donos possam mostrar e exibir os seus bólides de forma segura. Um exemplo disso é o aeródromo de Santarém onde se realizam os famosos “picanços”.

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