
A vergonha continua. Após intensa análise, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), presidido por um portista assumido, com lugar cativo no Estádio do Dragão, decidiu pela continuidade do FC Porto na edição 2013/2014 da Taça da Liga. Ficou, mais uma vez, provado que vale a pena fazer batota no futebol em Portugal. A decisão da FPF – aliás, não se percebe porque tem de ser este organismo a decidir, quando a organização é da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) – cai no ridículo quando multa o clube do Porto em 383 euros.
A decisão de manter o FC Porto na Taça da Liga vem ferir de morte a competição, já de si mal amada
É o sistema a zombar de tudo e de todos, troçando de quem luta pela justiça e pela verdade desportiva. Os chamados «anjinhos» ou «totós». A verdade desportiva da Taça da Liga está definitivamente comprometida, seja para esta edição ou para as seguintes. A Taça da Liga foi uma prova que começou mal, tendo até sido desvalorizada por alguns clubes, muitos até de grande dimensão. O facto de não dar acesso às provas europeias e o seu modelo competitivo tornam-na numa prova menor no âmbito do calendário nacional. Como podem os chamados três grandes só entrarem já na fase de grupos da Taça da Liga e jogarem 75% dos jogos em casa, quando devia ser exactamente o contrário, como acontece em Inglaterra, em que a Taça da Liga é a competição onde há mais surpresas e onde os clubes pequenos têm mais hipóteses.
É ridícula uma punição de 383 euros para o incumprimento das regras
Como diz o povo, «pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita», por isso, esta Taça da Liga nunca teve um futuro muito auspicioso. Com todas as peripécias que tem acumulado, resta dizer que o seu caminho é cada vez mais tortuoso e não parece ir rumo à credibilidade e ao sucesso. Independentemente da competição – porque estes factos não são exclusivos da Taça da Liga – a verdade é que o incumprimento, os caminhos sinuosos e torneados ainda valem a pena e, na altura das decisões, ainda vingam mais do que a correcção. Faz falta uma primavera árabe no futebol português. A verdade é que já se vêem umas andorinhas e algumas flores, mas, como diz o ditado, «uma andorinha não faz a Primavera.»
Federação Portuguesa de Futebol zombou da verdade desportiva
Todos sabemos que essa Primavera vai chegar, mais tarde ou mais cedo. Os sinais estão aí e prometem por fim à idade das trevas do futebol nacional. Mas, falta o resto, falta o sol, as andorinhas, as flores, tudo o que é preciso para pintar o quadro da estação temperada. Há cada vez mais gente a suspirar por essa Primavera, mas a bênção tarda em chegar…

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