Que são necessárias mudanças no futebol em Portugal ninguém duvida. E que essas mudanças são exigidas e necessárias há muito tempo também não. Mas, a verdade é que teimam em chegar e não se prevê quando possam finalmente trazer uma lufada de ar fresco ao futebol nacional. Inundado de jogadores estrangeiros de qualidade duvidosa, o futebol hoje é uma quinta onde empresários, dirigentes e fundos de investimento brincam às transacções e aos eventos desportivos.
O futebol nacional está transformado numa quinta para empresários
Sendo hoje um desporto que move milhões, interessa a muita gente que o futebol permaneça inalterado, um constante joguete de interesses e de comissões, em transferências mais ou menos obscuras, em que tudo interessa menos o desporto rei. Tudo com a conivência da toda-poderosa FIFA, que suspira pelos milhões e defende tudo menos aquilo para que foi criada: o futebol.
Portugal podia ser um ponto de partida e ser o início da limpeza do futebol a nível europeu e mundial. Podia, se alguém quisesse… Se houvesse vontade a nível das cúpulas para que isso acontecesse. Tudo podia começar com o regresso da limitação de jogadores estrangeiros, tal como havia há alguns anos atrás.
Uma primeira mudança seria voltar à limitação de jogadores estrangeiros
Quatro estrangeiros em campo, mais dois no plantel. E quando se fala em estrangeiros, são todos aqueles não nascidos em Portugal, independentemente do país de origem.
Vantagens evidentes desta medida: obrigatória aposta nos jogadores portugueses, tipicamente os da formação, desenvolvimento de mais jogadores nacionais de qualidade e maior potencial de venda para o exterior desses atletas, logo maior receita para os cubes.
Por outro lado, desenvolvimento potencial da Selecção Nacional de futebol, com maior leque de escolha de jogadores e maior qualidade de cada elemento. Em suma, um mar de vantagens para o país.
Só que isso é algo não interessa a muita gente, que ganha a vida a transferir jogadores de uns países para os outros, com especial destaque para atletas brasileiros de segunda e terceira categoria.
A arbitragem teria de ser forçosamente profissional e muito mais transparente
Outra questão «revolucionária» é a da arbitragem. Agora que se caminhou (e bem) rumo à profissionalização dos árbitros, urge não ficar a meio caminho e alterar por completo o sistema. Por um lado, voltar ao sorteio puro dos árbitros (e não condicionado, como acontecia anteriormente), por outro, adoptar em definitivo as novas tecnologias para a arbitragem, nomeadamente a de linha de baliza.
Mais ainda, não deixar que os cargos de liderança nos organismos que tutelam o futebol sejam assoberbados pelos maiores clubes, que depois colhem os frutos das decisões tomadas pelos seus «protegidos». Mas aqui, já é necessária uma mudança de mentalidades, de forma de pensar e até mesmo… civilizacional! Mas isso já é uma questão de evolução…

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