Não fui sempre amante de viagens. Gostava do conforto do conhecido e abominava ter de dormir em casa de amigas, quando era convidada na escola. A minha cama sempre foi a minha cama. E sempre será. Mas foi com o tempo que aprendi aquilo que mais me faz feliz – viajar.
Quando não conseguimos conciliar aquilo de que gostamos com a vida que levamos, é tempo de pensar em organizar as coisas de outro jeito. Quiçá, dar uma grande volta, alterar as rotinas. Comigo é o que tem acontecido. De repente, ter um emprego que em pouco ou nada me motivava, passou a ser algo que tentei intercalar com a minha forma de querer viver. O meu país tem actualmente pouco para me oferecer a nível de enriquecimento pessoal – os trabalhos escasseiam, os salários são baixos e motiva-me pouco ou nada dar o litro e receber o copo vazio. Os amigos… Muitos já cá não estão. Espalharam-se pelo mundo. De forma a darem suporte a quem ambiciona algo diferente. Nem mais, nem menos. Diferente. Conhecer o mundo, viver novas experiências, passar por provações bem mais difíceis de superar do que um mau dia no escritório. Perder um passaporte é bem mais desafiante do que perder um prazo de uma contestação. Ou não. É tudo uma questão de perspectiva.
E viajar não tem de ser só “para quem pode”. Não temos de largar uma vida, não temos de não ter uma profissão. E sobretudo, para viajar, não precisamos de muito dinheiro. Aproveitando as oportunidades que surgem – um amigo aqui, um primo ali, um turista que conhecemos nas férias passadas ou durante um trabalho – alojamento ou um poiso para repousar, repastar, ou apenas alguém para nos ajudar.
Viajar pode ser feito de tantas formas diferentes. Adaptável a quem se deixa adaptar.
Há pessoas que não gostam de estar sozinhas. E eu sou uma delas. Com o tempo, e com as viagens, aprendi a saborear um por do sol, uma bela paisagem ou um belo mergulho. Por mim mesma, comigo mesma. Continuo a não gostar de viajar sozinha. Planear, contornar um inconveniente, não ter um ombro amigo em quem repousar… e o pior de tudo? Ninguém me ajudar nas contas de conversão de moedas!
Às vezes temos apenas de perder o medo, ter confiança em nós próprios e aproveitar aquilo que está reservado para a nossa vida. Ela não vem até nós. Somos nós que temos de caminhar na sua direcção. E quando temos dentro de nós o bichinho da curiosidade… ah, aí, não vale a pena continuar agarrado ao Google, ao Wikitravel ou ao Flickr e tentar viver aquilo que os outros viveram. Uma viagem é sempre nossa. Qualquer óptica é diferente. Cada lugar vale por aquilo que nele vivemos e não pelo que ele é em si mesmo.
E quando as palavras dos outros mexem um pouquinho que seja com as nossas ideias, poderá querer dizer alguma coisa.
Eu sei de mim e só de mim. Por isso mesmo vou fazer, de seguida, uma busca no http://www.edreams.com/. Vou viajar.

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