Desconhecendo o meu caminho deparei-me com um cruzamento. Esquerda ou direita? A rua toda vestia-se de pessoas, mais ou menos apressadas, que passeavam por entre uma calçada escondida debaixo das solas dos sapatos. Tinha que tomar uma decisão e, apesar de conhecer o meu destino, o caminho a percorrer dependeria única e exclusivamente de um conjunto de decisões que necessitavam de ser tomadas. Esquerda ou direita? A emoção, que rege tanto o corpo humano como a razão, tomou desta vez o leme do meu corpo e tomou rumo pela direita da intersecção. Deixei ao instinto a minha decisão e assim à aleatoriedade todas as variáveis de decisão. Ou terá a aleatoriedade sido determinada por reducionismos físicos e químicos tão antigos quanto o Universo em si?
Fará este milénio 13.799 mil milhões de anos que se crê que todo o Universo tenha sido criado, não por um nascimento proveniente do consumo carnal de um deus com uma natureza, mas sim através de uma enorme claustrofobia de átomos e moléculas que, quando se encontraram soltos daquela sobrelotada prisão, se decidiram novamente juntar, porque a sinergia do par é sempre superior à soma das partes. Contudo, nem todas as desejadas uniões se realizaram e átomos e moléculas separaram-se vagueando pelo infinito elástico negro. Todas as transformações, mutações e criações que daí surgiram, conduziram à minha presença naquele cruzamento. Ao ter saído de casa, ao ter acordado, ao ter adormecido, ao ter nascido e assim sucessivamente. Mas será que todas as minhas decisões se devem ao reducionismo da contínua separação dos átomos e moléculas de há tanto tempo atrás? Será que todos os acontecimentos desde o Big Bang conduziram à minha presente indecisão por um caminho a percorrer?
E se não existisse o conceito de causa e apenas o de efeito? E se toda a panóplia de acontecimentos aconteceram sem nenhum motivo além do motivo de terem ocorrido daquela maneira e não de outra completamente diferente? Talvez por isso tomei eu a decisão de ir pela direita, recorrendo a um mecanismo de intuição adquirido dos primórdios de toda a vida, “direita para a preservação da espécie, porque a esquerda não é o meu ponto forte, porque a luz bater-me-á nos olhos e deve-se é fugir à luz do fundo do túnel” ou pelo o facto de, naquela imensidão de pessoas a percorrer aquela rua, vislumbrar uma rapariga activa um poder de atracção milenar, a gravidade e a junção dos átomos separados há tanto tempo. A ideia do reencontro rege assim a minha decisão e não um conjunto de variáveis, mais ou menos controláveis ou observáveis, definidas por psicólogos e analistas de decisão.
Contudo, se o reencontro se proporcionar apenas por um olhar tímido por entre a multidão, não será um reencontro, mas sim uma recordação atómica. A gravidade não terá nenhum efeito e a aleatoriedade da minha emoção (independentemente dos factores psico-sociológicos de vergonha e similares) é que definirá a minha decisão final, tendo todo o determinismo de anos de acções e reacções, levado apenas à aleatoriedade do “átomo” em se manifestar e desejar, ou não, se juntar ao seu par.
Segui em frente, não me apresentei, não tentei conhecer ninguém, nem sequer perceber se o meu “átomo” era par daquele. A liberdade de escolha e pensamento resumiram-se à aleatoriedade da emoção. Ou talvez ao reducionismo físico e químico que pré determinou o momento exacto em que encontraria o par do meu “átomo”. E não era neste.
Fontes meramente indicativas, que o pensamento é de cada um e a wikipédia engana:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Determinismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleatoriedade
http://en.wikipedia.org/wiki/Big_Bang
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reducionismo

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