Este milénio é caracterizável por uma modernidade que, com maior ou menor sobressalto, se vem estruturando até aos nossos dias, a partir de uma Idade Média simultaneamente mística e misteriosa, secreta e enigmática, fascinante e bárbara, guerreira e espiritual, que, afinal, prepara a emergência do período moderno subsequente.
É esta modernidade que é mais visível, pelo menos na acumulação considerável de conhecimentos nos mais diversos domínios do saber, e, igualmente, na imensa parafernália técnica que resulta de sucessivos atos de invenção e criatividade humanas.
Mas, ao mesmo tempo que isto acontece, as grandes questões acerca do destino do universo e da vida deixaram de ter uma resposta no que concerne aos consensos, face à ambiguidade dos valores e crenças.
A modernidade é, questionada nos traços maiores da sua lógica do racionalismo e do individualismo.
Se há alguma coisa em que este milénio se escuda é a ideia de progresso, ou seja, uma história do mundo que corre inevitável na direção de alguma condição humana ideal, e esquecemos que a exaltação do futuro é a exaltação de um tempo que não existe.
O indivíduo devia realizar a sua liberdade e encontrar a sua autonomia através da vontade geral encarnada do Estado.
Mas o Estado conduziu ao esquecimento ou rutura dos laços que uniam o individuo às estruturas comunitárias. A esse retraimento da vida social associa-se o surgimento do individualismo.
Paradoxalmente, a emergência do individualismo associou a dissolução da individualidade e a um processo de perda de identidade própria.
Por isso, no final deste milénio, existem pessoas que se comprometem cada vez mais na procura pessoal, da comunicação quotidiana, da ação coletiva, enfim, da participação direta.
A fase final do milénio ( fase final da modernidade ), abrigou a secreta esperança de uma superação dos exageros, que não consome verdadeiramente, mas que desperdiça muito, ao sabor dos ciclos efémeros, das modas ou modismos mais ou menos culturais, artísticos e científicos.
No final é sempre o mesmo conjunto de questões:
Que tipo de sociedade queremos construir?
Que tipo de homens idealizamos?
Como fazer para melhorar as formas de comunicação, de participação coletiva, de acesso à cultura e ao bem-estar, em suma, à qualidade de vida.
O final do milénio nunca cessou de prometer o progresso e o desenvolvimento, e ainda hoje procura implementá-los, ensaiando políticas mais ou menos integrantes dos diversos domínios da atividade humana.
É neste contexto, que actualmente se afirma em Portugal a importância decisiva da cultura e da educação, estando em curso a reflexão, que procura contribuir para a reforma do sistema de ensino, reforçando a dignidade da função docente e do papel de uma escola autónoma no seio da comunidade.
Existe uma confrangedora subestima por áreas como sejam, a expressão plástico-artística, a música, a dança, a educação física, a expressão dramática e narrativa.
Seja como for, os homens são contadores de histórias e nelas vai plasmada a essencialidade do ser humano.

bem escrito e atual.
Parabéns!
T.