A minha experiência com agências funerárias em Lisboa.
Muito antes de pensar em agências funerárias em Lisboa, habituei-me a como me consideravam um cidadão da província. O Porto, província? Longe vão os tempos, mas falar de funerais em Lisboa ou “na província” é de facto diferente. No início de Dezembro, a conversa sobre agências funerárias e funerais haveria de me ocupar inesperadamente. É que foi nesse início de Dezembro que o velho amigo António voltou a Lisboa da Bélgica para onde foi à procura da prosperidade encontrada. Regressou para um Natal junto da família, para encontrar o irmão falecido num acidente nesta véspera de Natal, e pais idosos sem presença de espírito para procurarem agências funerárias em Lisboa.
Agências funerárias em Lisboa: a impessoalidade citadina.
Não foi a primeira vez que o António tratou de funerais mas, como me confessava atrás do copo de imperial e sorvia pesarosamente, no campo as coisas não são simplesmente assim. As agências funerárias em Lisboa confundiram-no como um reflexo da impersonalidade citadina, face à intimidade e amizade que sempre cruzou o agente funerário e a família enlutada nas pequenas povoações do interior. As grandes agências funerárias ofereceram-lhe harpas, música ambiente, bugigangas de todas as espécies, ostentação e inutilidades a preços exorbitantes para quem o aperto de mão sincero do agente fúnebre diz muito mais do falecido que seda e cetim. Ambos ficamos a pensar no negócio que são os funerais hoje em dia, tão cheios de marketing e aparências quanto um refrigerante. Na grande cidade ninguém nos conhece. As agências funerárias em Lisboa seguem essa filosofia. Não por culpa própria, embora algumas o façam por modelo de negócio. Simplesmente não nos conhecem, não nos viram crescer e fazer a vida, não tomaram connosco o café na adega mesmo ao lado da única paragem da carreira de autocarro para a cidade. António não queria ver o irmão transportado por estranhos, transformado num negócio a concluir. António não queria cobrir o funeral de tantas artimanhas que se esquecessem do irmão e pensassem apenas na ostentação da cerimónia, mas o tempo urgia, as horas passavam. Encontrar entre as agências funerárias de Lisboa uma que tivesse a postura proximal e intimista que António queria não foi fácil. A procura teve de fazer um tenebroso jogo de cintura para escapar dos abutres que já esperavam à porta da morgue, e daquelas agências mais limitadas. Com os prazos curtos em que estas coisas têm de ser feitas, julgo que a maioria de nós nem tem possibilidade de escolha: ficam com o que aparecer e nem têm como perceber se as coisas foram bem ou mal feitas.
Os funerais são mais que um negócio
O António teve sorte. Um amigo recomendou-lhe uma agência funerária de Almada, mas que faz serviços em Oeiras e utiliza os crematórios do concelho: A Lusitana. Trataram-lhe de tudo, inclusivamente da burocracia e do subsídio de funeral, algo útil para alguém já pouco habituado às veleidades nacionais. O funeral foi simples, uma cerimónia prévia à cremação, com arranjos florais frugais e uma atmosfera elegante mas respeitosa e discreta. Não houve circo nem pombas soltas, harpas ou carpir a soldo, apenas sinceridade e um serviço talhado à medida dos pedidos do António. Não o fez mais feliz, mas certamente lhe deu a tranquilidade acrescida de se poder concentrar no seu luto, na essência do irmão, não na aparência da cerimónia. Estive lá, e apreciei essa genuinidade, o silêncio que não me prendeu a atenção a arranjos florais extensivos e me permitiu concentrar na memória perene daquele que partia. Mas agências funerárias em Lisboa… há infelizmente poucas com esta postura familiar. Online fala-se de preços excessivos, faturas enganosas, reclamações que não são atendidas, enfim, agências funerárias que não passam de negócios.

