Desde os tempos mais remotos até aos dias de hoje, sempre existiu a intensa necessidade de um personagem milagroso que enfrentasse grandes perigos e fosse capaz de grandes feitos de forma a deliciar e esperançar tudo e todos. Foi a mitologia a primeira a providenciar e “enfatizar” este personagem, este herói; mitologia esta marcada por sentimentos e desejos gloriosos de todo um determinado grupo que sempre que enfrentasse conjecturas desfavoráveis ou simplesmente quisesse sonhar com algo “melhor” e magnífico viu como único escape um herói fantástico capaz de inacreditáveis proezas e de voar constantemente pelas mentes mais férteis.
Como já referido, desde as idades mais antigas, aquando do início da consciência mitológica, que o mito do herói começa a ganhar consistência, sendo muito importante referir o contributo sumério com Gilgamesh, Enkidu, Enki e outros, representativos de um certo misticismo ligado aos deuses (politeísmo) e de um sentido próprio e até mesmo estranho dirão alguns- caso da servidão/ligação de Enkidu a Gilgamesh- uma vez que o papel de herói é duplo e o paradoxo heroísmo/servidão é combinado.
Com o passar do tempo e a “melhoria” da mitologia, o mito heróico em todas as culturas vai como que se desenvolvendo de forma peculiar tendo em conta o espaço cultural em que está presente. Analisando este facto de forma mais incisiva, observa-se que existem semelhanças e diferenças no herói consoante o seu “meio”: Alguns possuem características físicas e psicológicas diferentes, mas têm em comum outros aspectos, como a necessidade da sua existência, ou seja, é sempre necessário um herói devido à imprevisibilidade do ser humano; são universais. Em todos os meios culturais, o herói representa uma ameaça para as estruturas vigentes na medida em que o seu semblante revolucionário constitui um risco de derrube dos parâmetros estabelecidos (tirânicamente na maioria dos casos). Uma outra semelhança entre os heróis é o facto de terem algo que os destaque/diferencie dos outros conviventes do meio, ex. são loiros quando a maioria é morena e vice-versa. Predominam os mitos heróicos masculinos, estando os mitos de heroínas ligados, sobretudo, à maternidade e à procriação.
Os heróis são dinâmicos e intrépidos na mitologia, mitologia essa que é sagrada utilizando os personagens heróicos quando necessário e vendo-os como divinos e para quem nada é impossível em conluio com forças sobrenaturais e é com base nestes argumentos que decidi incidir-me sobre Ulisses, o mítico herói criado por Homero, dramaturgo de enorme importância que legou a maravilhosa história do itacense que deixou a sua ilha para combater em Tróia e regressou passados 20 anos: vê-se que na mitologia grega, os heróis de grandes feitos e personagens como minotauro são únicos. Ulisses ao longo da sua odisseia – combatente, prisioneiro da deusa Calipso, turbulento regresso enfrentando inúmeros perigos e contratempos, vingança contra os pretendentes que cortejavam a sua mulher e todos os que conspiravam contra ele- cumpre assim o seu destino e atinge a glória suprema em combinação com os deuses. Atentando em todos estes aspectos, é nítido que Ulisses é o expoente máximo de todo um heroísmo “tradicional”. Em suma, o mito de herói de Ulisses é único e característico em toda a mitologia grega e sendo assim constitui um excepcional objecto de estudo e representativo do carisma heróico

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