O Governo de Pedro Passos Coelho prima pelo revivalismo. Nunca antes, à moda dos anos sessenta, Portugal esteve tão velho e seco. Lembra-se da guerra colonial que queimava as gordurinhas todas à metrópole? Então se se lembra, se é desse tempo ou se estudou esse tempo, já sabe do que estou a falar: falo de miséria por conta de orgulho, de desertificação, de solidão naquilo que é viver em um país cujo Governo não se cansa de não dar descanso ao povo. E o povo está só.
O Governo de Pedro Passos Coelho não quer saber das Vanessas, sabia?
As Marias Albertinas estão a abalar da terra do fado empurradas pelo rumo de uma política doente, de mentira compulsiva e demagoga – o Governo de Pedro Passos Coelho está a obrigá-las a emigrar e a darem à luz Vanessas. As Vanessas são filhas de mães portuguesas e de pais estrangeiros que nascem fora de Portugal e que serão a futura juventude, e massa crítica, e força de trabalho, do país que as viram nascer. Por cá restamos nós, os que ficam, os que resistem à tortura, os futuros velhos e secos que talvez assistam à bancarrota do estado social – agora em decadência – e nem sequer venham a ter reformas.
O que é, afinal, o milagre económico que este Governo adivinha?
Aparentemente, no entanto, no seio do Governo de Pedro Passos Coelho, onde a ninhada de ministros mama desalmadamente, uma espécie de enfermidade colectiva e partilhada, tudo está – e a caminho de ficar melhor – bem: adivinha-se um milagre, milagroso e milagreiro, económico cujos indícios fazem-se notar na preocupação de a ministra exigir apenas dois cães por apartamento: o Governo de Pedro Passos Coelho, cúmulo do zelo, faz questão de entrar na casa das pessoas. E nos bolsos. E nas contas bancárias. E nos frigoríficos. E na cama – o Governo de Pedro Passos Coelho inibe os casais de sentirem prazer, antes de mais, e de fazerem filhos, castra-lhes a líbido por tamanha tristeza, ou então obriga-os a separarem-se e a darem filhos, os nossos por direito, a outros de fora. O Governo de Pedro Passos Coelho impede as pessoas de casarem pela igreja se atendermos ao facto de, talvez, cada vez mais a população portuguesa tenha vindo a creditar – e a acreditar – cada vez menos na religião católica e na salvação – isto porque este governo tem feito a vida dos portugueses, absoluto pecado sem redenção possível, fogo que arde e queima e aperta mas não segura, num verdadeiro inferno.
Envelhecimento, morte, separação, filhos bastardos da nação, solidão, miséria. São estas as palavras que o Governo de Pedro Passos Coelho tem dado a regurgitar aos Portugueses que estão cansados, exaustos, exauridos, miseravelmente tristes senhores. Isso e música para emigrantes. Desta.
(este artigo está escrito ao abrigo da antiga ortografia)

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