Uma viagem para a vida
O acto de peregrinação (caminhar “para” ou “por algo”), como expressão máxima da fé e da espiritualidade, assume-se como uma força transcendente na relação humana com o sobrenatural e na sua consequente materialização. A imagem do ser humano em busca de um lugar sagrado, atraído pelo carisma de uma divindade, na esperança de obter uma bênção ou agradecer uma dádiva, remonta aos tempos mais antigos da história da civilização. Desde os ancestrais cultos egípcios (Amon, Isis, etc.), passando pelos Gregos (cultos pan-helénicos e cívicos) até ao advento do Cristianismo, como religio licita, as viagens em nome de deus(es) foram uma constante.
Trata-se de um caminho com um propósito, bem definido, que carece de motivação, sacrifício e fé, no qual só a pessoa que o executa entende o seu significado e necessidade. Locais de peregrinação como Jerusalém, Santiago de Compostela, Lourdes, Fátima, Meca ou Java (Conjunto de Prambanan) são referências incontornáveis para o viajante que procura um encontro metafísico com deus. Para muitos, trata-se da viagem das suas vidas – a tal!
Peregrinação até Fátima
No passado dia 13 de Outubro de 2013 encerraram-se as comemorações, iniciadas a 13 de Maio, das seis aparições de Maria aos Pastorinhos de Fátima. Foram dias de intensa devoção e entrega, para todos os que se dedicaram a esta peregrinação. Quem já esteve no Santuário de Fátima, em particular no dia 13, sabe do que estou a falar. Em cada espaço daquele ponto sagrado, as emoções transbordam e transportam qualquer visitante para uma intensa tranquilidade e comoção.
Se nos atrevermos a trilhar caminho ao lado destes peregrinos, a paz e a pujança das emoções que trazem consigo tomam contornos quase inexplicáveis. Não há vontade, coragem e alegria de chegar ao seu destino, como a deles. Não há carro, manobra, curva, monte ou barreira que os faça parar. Não há muros intransponíveis que os desviem de tão nobre missão. Os motivos que os levam por entre atalhos e alcatrão com a “cruz” às costas, só eles os conhecem, só eles os podem confessar. Será a ilusão, a fé, a incerteza, a revolta, o desespero ou a necessidade, que os faz caminhar?! São motivos sérios, sem dúvida, são razões presas a uma vida, são verdades que tomam como únicas e insubstituíveis, são com certeza louvores e benesses que tardam, tantas vezes, em chegar.
Não obstante, os pés em chagas, as costas curvadas e os rostos lavados em suor e dor, tudo isso vale a pena porque a alma deles “não é pequena”. Trazem uma mão cheia de esperança e a outra cheia de histórias para contar. Chegam de todos os cantos, macerados, “feridos” e extremamente exaustos aos pontos de apoio, mas são admiravelmente destemidos e determinados e chegam… leiam só… chegam incrivelmente alegres e envaidecidos com a sua peregrinação e… imagine-se, a CANTAR! É de louvar!
Certa de que ficarão ad aeternum na memória de (des)crentes, porque não há outros como eles, exaltemos todos os que “per agris“ (pelos campos) caminham em busca de um sentido.


Querida Sónia!
Um artigo de excelente qualidade.
Só posso agradecer pelo facto de me fazer sentir que tenho muito caminho a percorrer.
Todos os peregrinos têm o desejo de chegar para além do lugar de destino, querem sobretudo que a suas vidas tenham sentido.
Com carinho,
Alice Sousa
Muito obrigada Querida Alice,
Pelo teu testemunho e sabedoria!
Beijinhos
Sónia Vieira
Muito Bom!!! 😉
Excelente sua publicação. Tive a oportunidade de peregrinar pelo Caminho de Santiago no período de 29/08 a 30/09/2013, caminho Francês, e depois fui a Fátima em companhia de minha esposa, foi uma experiência muito especial em nossas vidas. Amém.
Obrigada David,
Eu já “peregrinei” em Jerusalém, mas ainda quero fazer Santiago… Fátima falizmente está bem ao meu alcance, sempre que eu posso e quero! São experiências únicas, sim! Bem haja
Parabéns pelo texto, reflete o anseio,a alma do peregrino! Conpartilhamos o texto no grupo Peregrinos de Maringá, um grupo de caminhantes do interior do Paraná, sul do Brasil, e está tendo uma ótima repercursão.
Muito obrigada,
Votos de força e coragem! Bem hajam
Abraço
Sónia, artigo bem pensado e bem escrito. O ato, pela fé poderá ser uma construção metafísica. Eu já vivi algumas emoções na passagem por estes lugares e não sei tipificar o que senti, mas senti.
Obrigada,
Querida Teresa
É mesmo isso, difícil de tipificar. Ainda assim, penso que a tentativa para o fazer valeu a pena.
Beijinho
Muito bom! Boa escrita.
Amiga,
Mais um excelente artigo: comovente, forte, arrebatador!!! As almas destes peregrinos “não são pequenas”…! É bem verdade, venham de onde vierem, sejam quem forem, tenham o que tiverem, rumam para a mesma meta: a busca de um sentido para as suas existências, o grande desafio da Humanidade!!!
Beijos grandes
Minha querida,
Isso mesmo! O desafio de todos nós, seja para um lugar mais ou menos sagrado, mais ou menos perto ou longe, todos rumamos em busca de um sentido!
Um abraço grande
As palavras que aqui encontrei revelam bem a pessoa que és. Bem hajas e bem haja a tua fé e força que tens dentro de ti e que te elevam ao mais alto patamar da espiritualidade, esta é a leitura que faço do texto que aqui está escrito.
Concordo com maioria das afirmações e revejo-me nelas, no que toca à fé e ao caminho que nos leva a deus.
Obrigado
Obrigada JR
Pelas palavras, pelo sentimento de pertença aqui demonstrado, pela solidariedade a tão grandiosa missão.
Obrigada
SV
Lindas e profundas palavras, como peregrina ao ler, não leio revivo, sinto, vejo, cheiro, e fico em paz… destaco Minde, como um dos pontos mais altos da peregrinação antes de chegar ao Santuário, pela forma que somos recebidos pelo seu povo e claro pelo exm senhor Rui Gonçalves, São incansaveis a receber milhares de peregrinos…. é um encontro de irmãos… não se descreve, sente-se….
Pela forma de expressão és uma pessoa linda, em que o tempo só vai deixar marcas de beleza. Um grande obrigado. Que Deus ilumine o nosso caminho, o qual eu procuro e estmedo a mão.
Caríssima Mariana,
A minha inspiração vem precisamnete da experiência do caminho já percorrido e precisamente do que já presenciei em MINDE. Trabalhei lá durante dois anos, mesmo em frente ao ponto de apoio ;).
É para todos eles, que “per agris” caminham em busca de um sentido, para todos vós. Bem hajam
Obrigada pelas suas palavras.
SV
Gostei muito….
Muito obrigafa, Filipe! 😉
Prima, gostei muito do teu ‘Peregrinação’ e entendo perfeitamente o que expressas nele, como sabes vivo em Fatima e das poucas vezes que vou ao santuário (devia ir mais apenas porque quando vou me sinto leve) continuo sem perceber porque razão sinto o que sinto.
Beijinhos e quero mais
Obrigada,
Pelo teu testemunho. Devemos ir quando algo nos “convida” ou “impele” a ir e não por obrigação.
Se vais poucas vezes, não te preocupes, significa que, quando vais, essa vez vale por muitas outras. 😉
Beijinhos
gostei do texto,muito bom,descreve aquilo que o peregrino sente na sua caminhada,não ha obstaculo quando se vai no caminho,ele faz-se a caminhar,a andar,a descansar,a observar. Não há palavras para descrever a sensação de felicidade quando se chega ao destino,.,.seja Fátima ou Santiago,são aqueles que conheço.Já fiz 7 caminhos de Santiago,qual deles o mais duro e bonito,mas a chegada ao local Mitico ,é de uma sensação inexplicavel,..obrigado
Caro Fernando,
Bem haja pelo seu testemunho! Nós, caminhantes e peregrinos sabemos que, por mais palavras que empreguemos na descrição desse caminho, serão sempre parcas para explicar o que será sempre inexplicável, como muito bem disse! Atreva-se a Jerusalém! 😉
Bem haja
Bom dia! Muito bom seu texto. Compartilho com suas ideias, pois sou um peregrino convicto de que os Caminhos estreitam nossas amizades e nos conduzem a Deus. Abraço peregrino!
Bem haja Oswaldo!
Votos de continuação de excelentes caminhos 😉