Sendo habitante da cidade de Lisboa há quatro décadas e tendo recebido um convite para fotografar aspectos da cidade que considerasse interessantes para apresentar numa exposição, armei-me com a minha máquina fotográfica e fui turista na minha bela cidade por um dia.
Percorri assim as zonas mais demonstrativas de Lisboa. Aspectos curiosos foi o que não faltou à minha objectiva. Não quis ser repetitiva na minha escolha de imagens, optando por fotografar aspectos que demonstrassem como mesmo numa grande cidade como Lisboa existem enfermidades urbano-paisagísticas que, por mera pouca vontade dos poderes autárquicos e políticos, teimam em se arrastar sem previsibilidade de resolução, quando me parece que é um assunto que mereceria uma preocupação maior e até de fácil concretização. Houvesse vontade.
Focou as minha objectiva as condições de instalação de algumas corporações de bombeiros voluntários na cidade de Lisboa. Não se consegue perceber como é que se concede e se concretizam edificações para aumentar o espaço físico dos grupos parlamentares quando, os bombeiros, possuem exíguas instalações incapazes de suportar as suas próprias viaturas de socorro, permanecendo estas na via pública, à mercê da aspereza própria de cada estação e da agressividade do meio ambiente, facto que diminuirá o tempo de vida operacional das viaturas.
Não compreendeu a minha objectiva como é que as Associações dos nossos bombeiros são consideradas instituições de utilidade pública – e muito bem! – e não têm quartéis de acordo com as suas indubitáveis necessidades logísticas, operacionais e de funcionalidade.
Indagou também a minha objectiva como é possível viver uma corporação de bombeiros numa área de alguns – poucos – metros quadrados, distribuindo por esse reduzido espaço viaturas de médio e grande porte. Captou a minha objectiva que alguns quartéis dos corpos de bombeiros voluntários da cidade de Lisboa não foram idealizados para albergarem uma corporação. Foram instalações cedidas provisoriamente mas, a reputar pelos anos que algumas corporações nelas permanecem, foi com carácter provisório, sim, mas por um período de tempo indeterminado.
Aferiu, por fim, a minha objectiva, da maior dignidade de ser bombeiro voluntário. Do altruísmo firme em se querer ser. Independentemente das condições em que exercem a sua nobre missão.
Mais atenção se pede pelos nossos Soldados da Paz e que lhes sejam conferidos preceitos que lhes assiste por direito próprio. Mais. Que se dê aos nossos bombeiros aquilo que eles nos dão a nós: solidariedade, decoro e dedicação.
E porque a segunda casa – por vezes a primeira, quando o dever de voluntário se sobrepõe a interesses familiares e pessoais – dos Soldados da Paz é o quartel do seu corpo de bombeiros, que se concedam dignas instalações a quem cumpre com desvelo a sua emérita missão. Como emérito deverá ser o seu quartel.

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